quinta-feira, 17 de abril de 2008

IBM e Google brilham em Wall Street

Acima das previsões dos mais otimistas... em meio a uma das maiores crises dos últimos 50 anos no mercado financeiro, IBM e Google surpreendem o mercado e tem um primeiro trimestre para se comemorar muito... o que isto pode significar? Uma virada na tendência do mercado? E os dois resultados tem as mesmas causas?

A IBM, desde o final de 2001, vem atravessando por uma fase complexa, de resultados bons, mas com o valor das ações em queda... Em 2001 as ações estavam na faixa dos US$ 120... depois disso, começaram a perder valor e chegaram a US$ 56, em outubro de 2002. Os anos seguintes foram de muita tensão e as ações foram andando de lado, chegaram aos US$ 100 mas não se sustentaram... somente no meio de 2006 começaram a subir com mais sustentação e, agora, voltaram a superar os US$ 120,00... Trata-se do maior valor em 6 anos...

A Google, em contrapartida, vinha muito bem obrigado. Desde o seu IPO em 2004 até o final do ano passado as ações da empresa apresentaram um crescimento assombroso, de 560%... isso em 3 anos... bateram em US$ 740 no ano passado... para se ter uma idéia, no mesmo período, a IBM apresentou valorização de aproximadamente 29%. No mercado hoje, depois do fechamento do pregão normal, quando foram comercializadas por US$ 449, as ações da Google chegaram a ser comercializadas a US$ 528.75.


No gráfico acima, em vermelho as ações da IBM e em azul as da Google.

O revenue da Google, no primeiro trimestre deste ano foi de US$ 5.19Bi (1), contra US$ 24.5 Bi da IBM. O valor de mercado da Google hoje é de US$ 150 Bi e o da IBM é de US$ 170 Bi...

Em meio a crise, ter resultados como estes pode significar muito, mas vamos ter que esperar os próximos dias e semanas para ver o que vem pela frente. É certo que grande parte dos resultados da IBM veio de fora dos Estados Unidos e que a Google tem um modelo de negócio diferente, que apresenta grande independência geográfica. No entanto, nos dois casos, um fortíssimo componente deste resultado excepcional foi exatamente a depreciação do dólar no mercado internacional. A queda do seu valor nas principais praças tem feito com que a renda contabilizada em moeda estrangeira apresentasse um crescimento enorme, empurrando a receita para cima e levando junto o valor das ações.

Realmente foi um resultado surpreendente e vale o comentário do New York Times, reproduzido abaixo...

"Google seems to print more money than the Treasury. It produced $1.8 billion in cash from operations. Of that it spent $842 million on property and equipment, mainly for data centers. Despite that huge investment, the company was able to put another $938 million in the bank."

Por fim, importante notar o tipo de investimento que a Google está fazendo, em propriedades e equipamento... Uma das mais fortes tendências do mercado de software, hoje, chama-se SaaS (Software as a Service) e, neste modelo, toda a infraestrutura fica com o fornecedor do serviço... E este tipo de investimento claramente aponta nesta direção... Quando lembramos que no ano passado a Google e a Salesforce.com fizeram uma aliança, reforçada no último dia 14 (2), tudo vai ficando claro...

(1) http://www.nytimes.com/2008/04/17/technology/17cnd-google.html?hp
(2) http://sev.prnewswire.com/computer-electronics/20080414/AQM08114042008-1.html

Outros links:
(3) http://news.moneycentral.msn.com/provider/providerarticle.aspx?feed=AP&date=20080417&id=8501797
(4) http://www.bloomberg.com/apps/news?pid=20601103&sid=aJFqMuSwXDII&refer=news

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Morar ou Viver no Rio? Parte 2

Por essa eu não esperava... acabou que o tema gerou polêmica, mais do que eu esperava para um assunto tão batido e desgastado. Mas isso faz parte... Realmente o Rio de Janeiro é uma cidade que desperta emoções fortes e a situação em que a cidade e o estado se encontram é bastante complicada... crítica mesmo...

Me recordo claramente das amplas discussões das eleições para governador de 1982, quando eu ainda tinha alguma ilusão com política. O Brizola ganhou... e depois disso só tivemos uma relação de governadores polêmicos e pouco competentes... que levaram nosso estado para o buraco... o que dizer de Marcello Alencar, de Anthony Garotinho!!!, de Benedita da Silva e de Rosinha Garotinho!!!...? Difícil, muito difícil... e a situação só piorou... E o que dizer do nosso alcaide??? De 1993 até hoje, com exceção de 4 anos com o Luiz Paulo Conde, só deu Cesar Maia!!! E antes dele foi o Marcello Alencar... Fala sério!!!

Concordo com o Marcelo, que diz que precisamos nos engajar em iniciativas de entidades representativas e em nossas comunidades. Isso é importante e faz diferença, mas quem faz??? Quem participa de iniciativas que possam trazer ao estado a glória de quem um dia já sediou a Capital Federal??? Eu não faço... e devia fazer... Só reclamar dos políticos é fácil e não resolve nada...

Talvez esse seja um caminho. Faz poucos dias saiu uma pesquisa sobre qualidade de vida mundial que coloca Nova Iorque como referência (100 pontos)... e ela tem caído em absolutamente TODAS as cidades do Brasil, incluindo Rio e São Paulo... isso é péssimo e não pode passar em branco. Afinal, somos ou não "esclarecidos"? Podemos ou não fazer a diferença?

Acho que mais do que poder fazer a diferença, exatamente por sermos "esclarecidos" temos a obrigação de fazer a diferença. Não podemos simplesmente ficar na posição de conforto de achar que os outros é que tem que fazer as coisas... temos a obrigação de fazer a nossa parte. E não estou falando do assistencialismo do governo, não estou falando de um assistencialismo que só tem como objetivo manter a situação como está, garantindo votos para eleições futuras.

A violência aumenta a olhos vistos em todas as cidades... Rio de Janeiro, Recife, Porto Alegre, São Paulo, Vitória, basta olhar em volta... e o pior é que essa mudança está refletindo no comportamento de todas as classes... não está limitada às classes mais baixas. Os reflexos estão por toda parte, alcançando a classe média e até a classe mais abastada.

No fundo, no fundo, para se Viver em uma cidade como o Rio ou qualquer outra, é preciso ter uma cidade de verdade, que nos dê segurança, saúde, saneamento, etc... ser bonita é importante sim, e faz diferença, mas precisamos de muito mais.

Viver no Rio de Janeiro é um privilégio. É uma cidade maravilhosa em todos os sentidos, mas tem muito para melhorar.

Convido todos a contribuir para que efetivamente, cada vez mais, possamos Viver no Rio e não somente morar. Quando todos puderem afirmar isso, aí sim teremos uma comunidade, uma cidade. E, para isso, acredito muito no engajamento de cada um, cada um fazendo e contribuindo onde pode.

domingo, 13 de abril de 2008

Morar ou Viver no Rio?

Quinta-feira, 10 de abril, 7 da manhã, Ipanema, a uns cem metros do Posto 10. Promessa de um dia de sol forte, típico desta estação pós-verão, quando os dias já estao um pouco mais curtos e com uma temperatura mais amena. Aproveito para repassar a agenda do dia, com um call marcado logo para o início da manhã e uma reunião logo após o almoço, dando continuidade a uma outra que participei recentemente em São Paulo. Foi quando me veio à lembrança um comentário feito naquela reunião...

Faz umas duas semanas e eu estava em São Paulo para uma reunião de trabalho. Na mesma reunião, dentre as 7 pessoas, 5 eram ex-cariocas. Até aí, tudo bem... não sei se já repararam a quantidade de cariocas que mora em São Paulo... O que me fez pensar foi um comentário de um dos ex-cariocas... "aqui tenho uma vida muito melhor do que no Rio... posso sair com segurança, ir ao cinema, ao shopping, sem medo".

Voltando a Ipanema... Nesse momento, olhei ao redor. O sol já subia alto no horizonte dando cor ao dia. Vi o mar, calmo e de um azul quase transparente. Paro em um quiosque e peço uma água de côco. Já são muitas as pessoas que andam pelo calcadão. Pois neste momento cheguei a uma conclusão até mesmo meio óbvia... existe uma diferença muito grande entre "morar" e "viver" (n)o Rio de Janeiro. Explico...

O Rio de Janeiro é uma Grande Cidade. E digo "Grande", com letra maiúscula mesmo, em todos os possíveis sentidos... sejam eles geográficos, demográficos, problemas, etc... é uma grande cidade para se viver, para se trabalhar e para curtir a vida naquilo que ela tem para oferecer de melhor.

Viver no Rio significa aproveitar o que a cidade tem para oferecer de melhor, como ir à praia em Ipanema, no Leblon, no Pepe ou na Reserva ou em uma outra qualquer que não seja Copacabana. Significa sair da praia e tomar um chopp em um dos novos "botecos chiques" ou em um pé-sujo qualquer. Significa sair à noite de bermuda mesmo, sem se preocupar com a roupa. Significa dar uma volta na Lagoa ou uma caminhada domingo pela manhã em Ipanema. Ir a um jogo no Maracanã, fazer um pique-nique na Quinta da Boa Vista, pedalar pela orla, passear pela Pista Claudio Coutinho, na Urca e muitos outros programas... São tantas as atitudes e possibilidades de quem Vive no Rio que a diferença é muito grande.

Morar no Rio é bom, muito bom... mas Viver no Rio é muito diferente, é muito melhor! Quem efetivamente Vive no Rio, quando se muda, sente a perda... seja para São Paulo ou para qualquer outra cidade, no Brasil ou no exterior... e olha que temos outras cidades maravilhosas aqui mesmo no Brasil.

Meu ponto é que a maioria absoluta, se não todos, os cariocas que se mudam para São Paulo e passam a elogiar nossa cidade irmã como o "paraíso" quando comparado com o Rio, simplesmente moravam no Rio... eles não viviam (n)o Rio. E existe uma diferença enorme entre os dois verbos. Para se ter uma idéia melhor, e talvez melhor compreendida pelos Paulistas nos dias atuais de recordes seguidos de congestionamento, até mesmo estar em um engarrafamento no Rio é melhor... eu, quando vou para o trabalho, em alguns dias pego um trânsito muito grande na Avenida Atlântica... é "muito desgastante"...

Existem milhares de lugares onde você pode "morar" no Rio e, mesmo assim, não Viver no Rio...

"Savoir Vivre", expressão que ficou famosa por expressar o modo de vida do Parisiense ou do Francês em geral, talvez seja uma boa forma de entender a diferença entre Morar no Rio ou de Viver no Rio de Janeiro. Afinal, em quantas cidades no mundo as pessoas se juntam, em um final de tarde no Verão, para aplaudir o por do sol?

Enfim, sei que esse é um assunto polêmico, uma discussão sem propósito... meu objetivo é somente o de registrar o ponto e não de criar polêmica... limitei a discussão ao Rio e a São Paulo somente devido ao motivador principal, que foi o comentário feito naquela reunião... afinal, Viver (com letra maiúscula) em São Paulo também deve ser muito bom!

PS.: Graças ao meu amigo Geilson, agora já sei que a "galera" também aplaude o por-do-sol no Porto da Barra, em Salvador. Obrigado, Geilson!

sábado, 5 de abril de 2008

Sofware as a Service

Quando eu era pequenininho uma Linha Telefônica era considerada um patrimônio, devia ser declarada no Imposto de Renda e, se bem me recordo, tinha um bom valor comercial. Já se passaram dez anos... ok, eu não era tão pequenininho assim a dez anos e tinha ainda uma conta pelos serviços prestados... e hoje uma linha telefônica é um serviço contratado a uma operadora. Um serviço similar a muitos outros prestados por concessionárias, como energia elétrica e gas... ou seja, você paga por aquilo que consome.

A indústria do software funciona assim: você tem uma empresa, por exemplo, e precisa escrever uma carta ou preparar uma demonstração de contas para um novo investimento. Para isso, como você não tem uma máquina de escrever e sim computadores, vai precisar de um Editor de Textos e de um Software para Planilhas. Vai precisar comprar uma licença de uso de cada um deles. Um custo alto, principalmente se você vai usar poucas vezes... ok, você vai usar muitas vezes, mas será que todos na sua empresa também vão usar muitas vezes??? Estamos falando de gastar algo como trezentos ou quatrocentos dólares para cada licença necessária...

A pergunta que surge é “por que não posso pagar somente quando precisar, apenas por aquilo que eu usar?”. Se preciso editar um texto, por que não posso pagar apenas para isso? Se preciso preparar uma planilha, por que preciso comprar um “pacote integrado” e levar para casa um editor de textos, um gerenciador de apresentações, um pequeno banco de dados e, de quebra, o software que preciso para preparar a planilha?

Esta pergunta tem sido feita há pelo menos dez anos e, nos últimos três ou quatro anos começaram a aparecer algumas respostas. Grandes empresas de Tecnologia da Informação investiram pequenas fortunas em P&D buscando caminhos economicamente viáveis para este questionamento. A IBM lançou um novo “tema” (1), o “Information On Demand” ou “eBusiness On Demand” há cerca de quatro anos. Ocupou páginas duplas de jornais de grande circulação nos Estados Unidos buscando se posicionar neste novo cenário, comparando o uso de sofware e sua cobrança ao uso de outros serviços como energia elétrica, por exemplo.

No sempre competitivo mundo de TI, eis que surge uma empresa, a “Salesforce.Com” com uma proposta totalmente nova... “pague por aquilo que você usar”. O “inventor” desta empresa chama-se Marc Benioff que teve esta idéia ainda em 1999 ou seja, no século passado!

Hoje, lidera uma das empresas mais admiradas neste novo mundo de TI. Acredite ou não, a Salesforce.com tem hoje mais de 40.000 clientes em todo o mundo, contando com mais de 1 milhão de usuários. Dentre seus clientes destacam-se, por exemplo, o Citigroup, para quem a Salesforce.com fornece software para 30.000 funcionários, e o Merrill Lynch, para outros 25.000.

A grande sacada deles foi criar um “modelo de negócio” onde o cliente tem a clara percepção de que está efetivamente pagando somente por aquilo que ele usa.

O modelo utilizado por eles é tão bom que, como sempre acontece, já existem várias outras empresas pensando na possibilidade de comprar a Salesforce.com. Entre os principais interessados, estão a SAP e a Oracle... (2). Apenas para se ter uma idéia do valor da empresa, agora em março a Forbes a incluiu na disputada lista "Fastest Growing Tech Companies", que inclui as empresas de tecnologia que mais rapidamente crescem. Ficaram em segundo lugar, perdendo apenas para a Google.

É claro que este novo Modelo de Negócios trás uma série de desafios. Dentre os principais, um efeito interessante... quanto mais clientes, mais infraestrutura eles precisam ter... ou seja, mais computadores, mais linhas telefônicas (opa, olha nós aqui de novo), mais instalações prediais... No modelo tradicional de software, a sua empresa é responsável por comprar o hardware necessário para rodar o software... é você quem tem que garantir qualidade nas linhas telefônicas e em outros componentes de sua infraestrutura.

Neste novo modelo quem tem a obrigação de garantir a “entrega” do serviço é o seu provedor... no caso da Salesforce.com, eles mesmos... E como garantir que eles vão efetivamente entregar aquilo que esperamos? Simples, com um contrato onde são estabelecidos critérios mínimos de qualidade... por exemplo, garantir disponibilidade do sistema pelas 24 horas do dia, 7 dias por semana... Isso é feito através de um contrato de Nível de Serviço.

Também existem questionamentos se este modelo de negócios vai se aplicar a todas as indústrias e necessidades... Um estudo feito em Maio de 2007 e disponível no site CIO.com (3) mostra as áreas onde este modelo está obtendo mais sucesso. O gráfico abaixo deixa claro que as três principais aplicações tem sido em CRM (Gerenciamento do Relacionamento com Clientes), Recursos Humanos e Compras.

Daí voltamos ao nosso caso da Linha de Telefone... Atualmente, os provedores deste Serviço, são obrigados a cumprir com uma série de normas estabelecidas em contrato e fiscalizadas por órgãos reguladores, no caso, a Anatel.

O modelo de negócio onde um determinado software é contratado e pago somente por aquilo que é efetivamente utilizado é conhecido como “Software como Serviço” (SaaS – Software as a Service). É um modelo novo, que ainda tem que amadurecer bastante, mas o espaço que empresas como a Salesforce.com tem conquistado no mercado mostram claramente que é um modelo que veio para ficar.

Afinal, você não se vê, hoje, comprando uma linha telefônica, vê?

(1) Ver post de 9 de março.
(2) http://www.streetinsider.com/Insiders+Blog/Salesforce.com+(CRM)+Is+A+Possible+Takeover+Target+for+SAP+or+Oracle,+SAP+Chairman+Says/3521627.html
(3) http://www.cio.com/article/109706/The_Truth_About_Software_as_a_Service_SaaS_

quinta-feira, 20 de março de 2008

"USA" On Sale 2

"O Globo", 19 de março de 2008, sessão de economia, página 25... "Bancos nos EUA podem ser alvos de brasileiros". Confirmando a queda do valor de mercado das empresas americanas, o jornal O Globo informa que tanto Bradesco quanto Itaú já tem mais valor de mercado do que o Morgan Stanley e Merril Lynch. Cada um dos dois bancos tem valor de mercado hoje superior a US$ 55 bilhões... Morgan Stanley vale US$ 47,3 e Merril Lynch vale US$ 45,3 bilhões... Outro gigante, o Lehman Brothers, vale algo próximo de US$ 25 bi... um trocado... tanto Bradesco quanto Itaú hoje rondam a décima colocação na lista dos maiores bancos privados do mundo...

É claro que isso não significa que eles vão comprar estes bancões, aliás, nem mesmo quer dizer que eles querem ou mesmo que seria um bom negócio. Talvez não seja uma boa idéia pois o mercado financeiro brasileiro tem características diferentes como um maior "spread", por exemplo.

Conforme dito anteriormente, esta situação é uma consequência direta de dois fatores: a apreciação do real perante o dólar e a queda das ações na bolsa de Nova Iorque. Isso não quer dizer que vai continuar assim, mas...

Até alguns movimentos mais "estranhos" tem acontecido... ontem o Citigroup e o JPMorgan, mesmo no meio dessa crise toda, anunciaram que estão fazendo um "empréstimo ponte" de US$ 3 bi para a montadora indiana Tata para que ela possa comprar as marcas de luxo Jaguar e Land Rover... que pertencem à americana Ford! Ou seja, com a queda dos juros nos EUA, fica mais barato para a indiana pegar um empréstimo com os americanos, para comprar uma empresa americana, do que usar o próprio caixa (se é que eles tem caixa, o que eu não sei).

Enfim, o derretimento dos valores de mercado das empresas americanas continua... Hoje, dia 20, os indicadores ruins continuam a sair e quase nenhum sinal de melhoria... aliás, nenhum...

terça-feira, 18 de março de 2008

"USA" On Sale


Que tal uma viagem aos Estados Unidos para compras? Podemos ir à Orlando, Miami ou Nova Iorque e renovar nosso guarda-roupa! O dólar nunca esteve tão baixo... ainda me lembro do ano de 1998, quando nosso Real estava bem valorizado perante o Dólar e viajei a trabalho aos EUA. Foi uma festa só... Pois o nosso Real, passados 10 anos, está novamente muito forte perante o Dólar, aliás, mais forte do que a 10 anos, o que faz com que nosso poder de compras seja ainda maior! Excelente oportunidade!

Que tal uma viagem aos Estados Unidos para compras? Podemos ir a Nova Iorque ou Chicago e renovar nossa carteira de investimentos! O Dólar nunca esteve tão baixo perante outras moedas como o Euro ou o Yen... Podemos até comprar umas empresas a preço de banana! Tanto em Wall Street como na Bolsa de Mercadorias de Chicago os preços estão em patamares bem interessantes...

Recentemente os bancos entraram em uma promoção especial, liquidação total! Claro, tem que tomar cuidado pois estes “produtos”, uma vez comprados, não admitem trocas... mas ainda assim podem ser encontradas boas ofertas.

Interessante o atual cenário internacional... eu sou de uma geração em que o fantasma da inflação nos rondava o tempo todo. Era comum ver nossa moeda ser desvalorizada em dois dígitos percentuais a cada mês. Nossas economias eram devoradas pela inflação e nossa moeda, quando não mudava de nome, passava por uma dieta forçada na qual tiravam vários zeros dela de uma só tacada.

O mundo está diferente. Com a crise das sub-prime (hipotecas de alto risco), os americanos se viram diante do que está sendo classificado, hoje, de maior crise desde a segunda guerra mundial, ou seja, dos últimos 60 anos... e olha que daqui a pouco pode vir a ser classificada como a pior crise, superando a da quebra das bolsas americanas na época da Grande Depressão...

Nós, reles mortais, assim como a maioria absoluta dos especialistas, ainda não sabe o que está por trás disso. E pode ser que nunca venhamos a saber. Não acredito que a crise esteja atrelada somente às sub-primes. Algo mais está por trás. Não quero ser o profeta do apocalipse e nem mesmo ficar imaginando “teorias de conspiração”, mas tem alguma coisa que falta ser esclarecida, falta ainda uma peça deste Quebra-cabeças.

Lendo jornais e revistas essa peça ainda não foi encontrada (e não acredito que eu vá a encontrar...). Uma primeira pista pode estar relacionada com o petróleo e com a Guerra do Iraque. Como qualquer outra, essa é uma guerra muito, muito cara mesmo e que tem impacto em absolutamente todos os segmentos de indústria, desde a óbvia Armamentista até no Turismo...

Temos também as eleições americanas para presidente... outra coisa muito cara e que tem mobilizado toda a nação em campanhas milionárias. Financiadas por quem? De onde vem o dinheiro das campanhas? Não estou falando das fontes declaradas, estou falando das reais...

E, por último, tem uma “guerra” meio que histórica que é a do Dólar e do Ouro... por muitos e muitos anos os EUA fixaram o preço da grama do ouro em dólar. No entanto, foram tantas emissões de moeda que eles foram forçados a quebrar essa amarração. Até hoje esse é um “caso mal resolvido”. E, nesse confuso cenário, o ouro não para de subir (1) e (2).

O fato é que, neste cenário, empresas do mundo todo estão invadindo os Estados Unidos e comprando empresas americanas por preços bastante atrativos. Talvez o marco zero dessa nova onda tenha sido a compra, pela Lenovo da divisão de computadores pessoais da IBM, em 2004. Na época a compra foi uma grande surpresa, pelo menos para mim e, acredito, para o restante dos mortais... uma empresa chinesa comprando parte da IBM? Definitivamente este foi um momento decisivo em nossa “economia”.

Quer outra, mais perto de casa? Pois quem não se lembra da compra da Swift pela nossa Friboi por US$ 1.4 Bilhões, em meados do ano passado? Vale lembrar que a Swift é uma empresa americana com 150 anos de história e faturamento 10 vezes maior do que o da Friboi...

Mais uma, também em nossas terras? Em fevereiro último a Votorantin Cimentos adquiriu por valor não divulgado a fabricante de concreto e agregados Prairie...

Enfim, a lista é longa e passa por empresas de vários segmentos como tecnologia da informação, frigoríficos, construção civil, automobilístico, só para citar alguns.

Não sou economista (minha esposa é), mas me parece que o cenário internacional hoje é extremamente positivo para compras nos EUA... É hora de aproveitar.

Vamos à Disney?

(1) http://afp.google.com/article/ALeqM5gorb8q2qWil0Fp3EURk_qO-l8Uow
(2) http://br.geocities.com/guaikuru0003/keynes.html#padraoouro

domingo, 9 de março de 2008

TI - Uma "Indústria Temática"?

A Indústria de Tecnologia da Informação (TI) é, seguramente, uma das mais dinâmicas. Em parte, pode-se atribuir esta característica ao fato dela ser composta e sofrer influência direta de diversas outras indústrias que tem se desenvolvido muito nas últimas décadas, como a das telecomunicações e eletrônica, por exemplo. É interessante notar, porém, que ao mesmo tempo em que ela avança junto com outras indústrias, ela também se desenvolve utilizando-se de "temas"... como Web 2.0 ou SOA, por exemplo, que são os mais atuais.

Esta característica, de ser uma “Indústria Temática”, pode ter sido uma grande sacada de marketing. De fato, em alguns momentos temos a clara percepção de que o conteúdo do que estamos avaliando é muito similar a algo já visto antes, com um tempero diferente. O fato, no entanto, é que esta indústria passou a trabalhar mais fortemente com "temas" a partir do final dos anos 80/início dos anos 90, com o surgimento da microinformática.

O período AT (Antes dos Temas)

Antes desta transformação, era uma indústria hermética, fechada que tinha como característica ser voltada para as grandes empresas, fornecendo ítens de infraestrutura, como mainframes, super-minis computadores e unidades de armazenamento.

Os primeiros Temas


Com o surgimento dos microcomputadores, na década de 80, e com o aumento do uso dos “micros” por empresas de todos os portes e por pessoas físicas, apareceu o primeiro tema , o da "Computação Pessoal". A mídia passou a explorar o assunto como algo revolucionário e a indústria se beneficiou enormemente, pegando uma carona para o que realmente foi uma revolução, com a venda de centenas de milhares de computadores pessoais. Era a época do "Personal Computer". O equipamento chegou a ser capa da Time..


Logo em seguida, com o surgimento das "redes locais", veio o tema de "Trabalho em Grupo" (workgroup). A Lotus (mais tarde comprada pela IBM), foi a primeira empresa a lançar um produto para o mercado corporativo para explorar este tema. Lançou em 1989 o Lotus Notes, que permitia a troca de emails e a colaboração em grupos de trabalho, através do uso de aplicações especialmente desenvolvidas.

A Microsoft também aderiu à idéia e lançou uma versão especial do Windows, o Windows for Workgroups, em outubro de 92, que incorporava recursos para trabalho em pequenas redes locais. A versão vendeu bastante e se tornou um dos sistemas operacionais de sucesso da época, apesar das inúmeras limitações.


Ainda estavamos no início da década de noventa e o mercado assistia a uma chuva de produtos que tinham como proposta principal explorar o Trabalho em Grupo.

Os temas chegam ao mundo corporativo


Logo em seguida a IBM lançou um novo tema no mercado, o eBusiness. Todos os grandes projetos da empresa passaram a ter esse tema como central. E basicamente a idéia era de que seria possível "tocar" todo um negócio utilizando-se de ferramentas de TI. Seria a solução definitiva para áreas tão distintas como bancos-de-dados, correio eletrônico e gestão de projetos. Novamente surgiram inúmeras soluções no mercado, de diversos fornecedores, literalmente inundando as empresas com as soluções mais distintas. Era o início da popularização da Indústria de TI no ambiente corporativo.


O crescimento no uso dos recursos de TI, com a campanha de eBusiness, trouxe novos e maiores desafios. Mais uma vez coube à IBM trazer um novo conceito, o de On Demand. Sua proposta é a de tranformar as empresas em organizações mais ágeis, mais responsivas e, consequentemente, mais competitivas em um mercado onde vantágens nascem e morrem em meses. A idéia é que os recursos de TI possam ser usados de forma similar ao que usamos, por exemplo, a luz em nossa casa... quando necessitamos, ou seja, "sob demanda".


Os desdobramentos desta idéia são muitos e vão desde o uso e respectivo pagamento proporcional ao consumo até a um gerenciamento macro dos recuros de uma empresa, formando um "grid" de componentes que possam ser melhor utilizados pelos diversos departamentos. Na época de lançamento da campanha “On Demand”, a IBM colocou anúncios de página dupla nos principais jornais americanos para explicar o tema. E não eram simplesmente anúncios em jornais da Indústria de Tecnologia, mas em jornais populares, o que demonstra claramente a importância da difusão da idéia do tema pelo público mais variado. A idéia por trás deste movimento, mais do que simplesmente lançar um novo tema, era de se posicionar como “a lançadora” do tema, como uma empresa que está na liderança da indústria.

Os Temas atuais

Mais recentemente surgiram novos temas, como SOA, Service Oriented Architecture, e Web 2.0. E mais uma vez, a indústria toda veio atrás e os principais players como HP, Oracle, SAP também passaram a explorar o assunto.

Diz a lenda que o termo “Web 2.0” foi cunhado em 2003, durante uma sessão de brainstorming patrocinada pela empresa O’Really. Seu pai chama-se Dale Dougherty, então o VP de Media da empresa.

Na prática, o conceito de uma segunda versão para a WWW foi motivado por diversas análises do cenário da época. Em linhas gerais, duas foram as principais características. A primeira delas, o “estouro da bolha” em 2001. O consenso era de que este estouro marcou o final da primeira fase da Internet como a conheciamos. Ele representava o amadurecimento de uma “tecnologia”, o “rito de passagem” para uma nova fase, a sua “nova versão”.

A segunda grande característica é que nesta nova “versão” a WWW seria mais interativa, mais social, em contrapartida à primeira fase, onde os sites eram estáticos, a maioria escritos em uma linguagem padrão e simples. Com o surgimento de novas tecnologias foi possível criar novos sites com serviços interativos, blogs, redes sociais, comunidades, etc. Fortes players desta fase são a Google, o Orkut (hoje da Google), o MySpace e outros mais.

Um bom exemplo de um site em “Web 2.0” e ao mesmo tempo um diretório de empresas com ofertas para este ambiente é o “Go2Web20” (http://www.go2web20.net/). Desde sua construção até seu conteúdo, tipicamente é um bom exemplo da proposta de Web 2.0. Outro claro exemplo é o Google Maps (http://maps.google.com/), hoje utilizado em conjunto com outros sites e soluções naquilo que foi batizado de “Mashup”, onde o conteúdo do Google Maps é usado, por exemplo, para localizar uma determinada loja. Diversos sites de lojas e empresas usam esse recurso. Para dar um último exemplo, a Wikipedia, (www.wikipedia.com), uma mega “enciclopédia” do mundo virtual.

Temas, temas e mais temas...

Parece que, neste exato momento, estamos surfando esta nova onda, da Web 2.0. Será que já estamos usufruindo de todos os seus benefícios? Será que muitos deles vão simplesmente desaparecer em um processo de seleção natural?

Qual será o novo grande Tema desta indústria? Quando ele será lançado? As apostas são as mais variadas, mas usualmente apontam para “WiMax”, “Redes Sociais 2.0” e outros mais. O fato é que definitivamente esta é uma indústria marcada por Temas, que vem se renovando nos últimos 20 anos e apontando o futuro da “Tecnologia da Informação”.

No fundo, talvez, IT represente mesmo uma “Indústria Temática”...