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quinta-feira, 26 de setembro de 2013

"The more I dig into his secrets, the deeper he'll bury them..." - Pais e filhos nas redes sociais


"The more I dig into his secrets, the deeper he'll bury them...". Esta frase poderia ter sido dita por qualquer mãe brasileira preocupada com a vida de seu filho e reflete uma das principais questões feitas por pais diariamente. Afinal, pais devem ou não fazer parte das redes sociais de seus filhos? Devem ou não espionar seus filhos navegando por suas contas em redes sociais? A frase partiu de uma mãe preocupada com seu filho, ambos chineses, moradores de Beijing e faz parte de uma matéria publicada no jornal "China Daily" tratando sobre a mesma preocupação que temos no nosso dia-a-dia.

Como vimos nos últimos posts (Redes Sociais na China, Parte 1 e Redes Sociais na China, Parte 2), a vida nas redes sociais na China é intensa, com centenas de milhões de pessoas compartilhando momentos, fotos e pensamentos, junto com angústias, preocupações e devaneios. 

No entanto, na China, a educação é ainda muito conservadora e os mais jovens são orientados, desde cedo, a acatar a ascendência dos pais sobre os filhos e a ficar calados na presença dos parentes mais velhos. Além disso, a grande maioria das famílias tem apenas um filho e os pais dedicam enorme esforço para a educação dos mesmos. A separação, quando os filhos vão estudar em outras cidades ou trabalhar fora, é dura e as redes sociais são um elo cada vez mais explorado. E, neste cenário, o choque entre as gerações mais novas e seus pais é simplesmente inevitável. 

Os Milleliums Chineses

A nova geração de milleniums chineses, por exemplo, é ávida usuária do WeChat, (já são mais de 300 milhões de usuários deste aplicativo) e compartilha sua vida pessoal com seus amigos abertamente. Mais e mais pais tem encontrado, nas redes sociais, a forma de estar mais próximos de seus filhos. No entanto, muitos não se sentem confortáveis ao saber que seus pais espionam suas vidas e acabam mudando seu comportamento. "Now I just don't post things she doesn't want to see or things I don't want her to see", disse um dos jovens entrevistados. 

Especialistas afirmam que a qualidade do relacionamento online entre pais e filhos reflete o mundo real. Ou seja, quanto mais aberta é a relação no dia-a-dia, melhor serão as interações nas redes sociais. Quando praticamente não existe diálogo entre pais e filhos sobre preocupações e desafios da vida, menos provável que no mundo online eles sejam realmente "amigos". "Alguns pais acreditam que o simples fato de serem pais lhes dá o direito de espionar seus filhos online", disse um psicologo da Beijing United Hospital and Clinics... "Por que não desenvolver a confiança no relacionamento com os filhos desde o início?".

Os jovens chineses tem adotado várias técnicas para sair da "saia justa" de recusar um convite de amizade vindo de seus pais. Uma das mais comuns é criar um perfil somente para a família e compartilhar assuntos triviais, que não criam conflitos. 


O que os especialistas dizem a respeito do relacionamento entre pais e filhos online? Vejam alguns comentários:

  1. Mantenha limites - Esteja presente mas não seja exageradamente intrusivo. Existem limites para os comentários e para a publicação de fotos - Sarah Coine, professora associada, Brigham Young University
  2. Use com moderação - As redes sociais são uma boa forma de manter contato, mas lembre-se das outras formas de interação presenciais - Zhang Zhongshan, professor senior, Songjiang Teacher's Training College
  3. Respeite o espaço de seus filhos - O melhor presente que podemos dar a nossos filhos é a capacidade de pensamento crítico e e de fazer julgamentos por conta própria. Não vamos ensinar isto mantendo-os sob controle o tempo todo. Deixe-os experimentar e entender as implicações de cada movimento - Pamela Brown, diretora, Media Psycnology Resarch Center
  4. Não espione mensagens privadas - Deixe que eles tenham seus espaços e os respeite - Rob Blinn, psicologista clínico, Beijing United Hospital and Clinics
  5. Demonstre amor e carinho ao mesmo tempo em que define as regras - Participe da vida de seus filhos, mas deixe espaço para que eles descubram seus próprios caminhos - Sarita Yardi, professora assistente, School of Information at University of Michigan
Definitivamente, a relação dos pais com seus filhos no mundo das redes sociais está longe de ser uma questão fácil de ser respondida. É uma preocupação universal, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos e, da mesma forma, na China. 

Foi-se o tempo em que se poderia pensar na existência de uma Cïdade Proibida. Na Internet, e na vida real, cada vez mais estes muros vem caindo e se abrindo. Cabe a cada família construir sua relação, tanto no mundo real quanto no mundo online, com base no respeito e na confiança.

sábado, 21 de setembro de 2013

A Viagem Social


Nas últimas quatro semanas vivi uma experiência realmente única, tanto profissional como pessoal. Participei do IBM Corporate Sercices Corp, uma designação internacional da IBM, na cidade de Yin Chuan, no interior da China. Foram semanas extremamente ricas, durante as quais convivi com profissionais da IBM de 7 países diferentes, com um cliente Chines buscando por recomendações para crescer nos mercados doméstico e internacional e compartilhando de uma cultura milenar, de uma história fantástica. Além de tudo isso, experimentei a força das redes sociais, tanto as que estamos acostumados a utilizar como as que são usadas na China, já assunto de outros posts. Desta vez, compartilho alguns pensamentos sobre o poder das redes sociais e sua influência em nossa vida, como em uma viagem como essa, longe da família e de amigos por mais de 30 dias. Meu foco principal será no que vou chamar de "três dimensões": distância, companhia e memórias.

Distância

Mais de duas décadas se passaram desde a última vez em que estive longe da minha família e dos amigos por tanto tempo. Estavamos no meio da década de 80 quando trabalhei na Siemens em Munique por três longos meses. Lembrando daquele longínquo inverno alemão, me recordo que tinha a nítida impressão de que estava muito longe de casa, literalmente em outro país, em outro continente. A distância se traduzia em duas semanas, que era o tempo necessário para um cartão postal chegar no Brasil. Quando o destinatário as lia, já não eram mais frescas, nem eram mais notícias, apenas registros de algo que havia acontecido há duas semanas. Exatamente por isso, a forma como as cartas eram escritas era diferente. Não diziamos "acabei de chegar da mesquita da cidade" ou "vejam só que dia lindo está fazendo em Munique"... isso não faria muito sentido para os destinatários.

Na China, compartilhava momentos instantaneamente utilizando o Instagram e, quando chegava ao hotel à noite, uma das primeiras coisas que fazia era atualizar o Facebook. A distância havia se reduzido de duas semanas para apenas alguns minutos ou, no pior dos casos, algumas horas. Os principais fatos do dia, fotografias, momentos, eram compartilhados quase que em tempo real. Era como se todos estivessemos viajando juntos. Era como se o estado de Ninxia, próximo a Mongólia Interior, ao sul da Mongólia, fosse a alguns kilômetros do Rio de Janeiro e não tão distante como parecia no jogo de War.

Toda esta tecnologia, transparente para todos, fez com que Yin Chuan se parecesse com um bairro do Rio de Janeiro.

Companhia

Na alemanha, apesar da companhia dos amigos que fiz, vivia sozinho. Não havia como me comunicar facilmente nem com eles nem com minha família e amigos no Brasil pois os telefones celulares ainda eram sonhos de laboratório ou assuntos para filmes de ficção científica. Usava muito o telefone público, que custava 5 marcos alemães por minuto e me obrigava a carregar muitas moedas cada vez que desejava fazer uma ligação de 5 ou 10 minutos. Era muito ruim chegar ao quarto, a noite, pois não havia muito o que fazer. Para diminuir a solidão, escrevia cartas e cartões postais, que demorariam muito para chegar ao Brasil, ou lia livros que havia levado comigo

Em Yin Chuan, a impressão que tive é que todos estavam muito próximos e isso ajudou muito para que o tempo passasse tão rapidamente. Conversava com amigos e com a família pelo menos duas ou três vezes ao dia e os sentia próximos, muito próximos. Para mim, era como se estivessem compartilhando de tudo o que eu vivia, tal a facilidade com que nos comunicavamos. Compartilhava pelo Facebook momentos viviidos durante o dia e recebia cada comentário com tanta alegria que parecia que estava conversando com alguem. Eu tinha companhia mesmo quando estava em meu quarto, sozinho. 

Além disso, tecnologias de comunicação baseadas em IP, como o Skype, me permitiam falar a qualquer hora, com qualquer pessoa, com vídeo, a custo zero.

As redes sociais tem o poder de reduzir distâncias e de aproximar pessoas. Algo inimaginável há apenas 5 anos.

Memórias

AInda guardo com carinho cartas, cartões postais, bilhetes e anotações daquela viagem a alemanha em 1986. São papeis, hoje amarelados, onde experiências pessoais e profissionais eram anotadas com todo cuidado. Dizem que "recordar é viver" e, cada vez que as vejo, lembro muito daqueles dias, dos momentos vividos longe de casa. Esta é uma grande verdade, realmente "recordar é viver"..

Fico imaginando como me recordarei desta viagem daquia a vinte anos. Será que o Facebook ainda vai existir? Veremos "páginas online amareladas"? Onde estarão todos estes momentos que foram compartilhados com tanto carinho? Em fotos digitais? Hoje não consigo ler um disquete de 5 1/4 polegadas que foi gravado há 15 anos. Será que teremos acesso a todas estas memórias daqui há 10 ou 15 anos?

Difícil dizer, muito complicado fazer previsões, "principalmente sobre o futuro", mas algo é certo. Nunca mais chegaremos em casa e ouviremos uma pergunta como essa: 

"Como foi a viagem, pai? Conta tudo!"

Como assim, você não viu o que eu coloquei no Facebook?

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Redes Sociais na China, Parte 2: Baidu, Weibo e Taobao

Em meu último dia na China, decidi almoçar em um restaurante em um hutong, em Beijing. Estas áreas urbanas tem quase mil anos e inicialmente tinham como finalidade ser a residencia de habitantes da cidade. Atualmente, no entanto, o comércio é amplamente explorado para atender as hordas de turistas que visitam estas estreitas ruas diariamente. Esta era a segunda vez que eu visitava um hutong e, para minha surpresa, a região estava quase deserta, não fosse a presença de alguns idosos que se dedicavam a jogar xiangqi, o xadrez chinês e a fumar seus cigarros. 

Lá estava eu, tranquilamente almoçando, quando chega um entregador de pacotes. O garçom abriu cuidadosamente uma caixa na mesa ao meu lado. Era uma caixa normal, de papelão, como as que estamos acostumados a receber quando compramos online. Lá dentro, depois de remover alguns kilometros de plástico bolha, três livros chineses. Detalhe, o entregador usava um camisa roxa onde se lia claramente, "Amazon.cn". Dezenas de milhões de chineses utilizam a Internet diariamente para comprar absolutamente de tudo um pouco, desde livros até equipamentos eletrônicos, remédios, produtos alimentícios e tudo mais que se possa imaginar. E como comprar online na China?

Taobao

Taobao é a plataforma para compras online mais popular no país. Fundada em 2003 pelo grupo Alibaba, com foco em C2C (Consumer to Consumer) em dois anos já era a principal plataforma de compra e venda online no país. Números atuais (não oficiais) apontam para mais de 500 milhões de usuários registrados e mais de um bilhão de produtos disponíveis. É comparável em funcionalidade a Amazon.com e ao Mercado Livre. O Taobao funciona como um Marketplace onde qualquer um pode colocar produtos a venda, tanto novos como usados, e os vendedores podem ser avaliados pelos compradores, algo muito valorizado pelos usuários do site. 

Com o Taobao, se você tem um pequeno comércio, pode abrir a sua loja online e alcançar centenas de milhões de potenciais compradores instantaneamente. A empresa também incorporou uma ferramenta de chat para permitir a comunicação entre vendedores e compradores onde é possível esclarecer dúvidas e adicionar detalhes sobre a compra. No Taobao também se pode vender diretamente ou via leilões, mas pelo que entendi não são muito populares por aqui.

TMall

Poucos anos depois, em 2008, a empresa fundou o Talbao Mall, agora com o objetivo de oferecer uma plataforma B2C (Business to consumer). Da mesma forma que em outros países, muitas vezes é mais fácil encontrar produtos online do que em lojas físicas. Durante minha estada quis comprar alguns ítens online, como a camisa de um clube de futebol da China. Visitei o site do clube, muito bem feito, diga-se de passagem, e, quando você entra na área de compras online é direcionado para a página do clube no TMall, diretamente, sem dificuldade alguma. Já no TMall, você pode obter informações adicionais sobre o produto desejado e concluir a transação. No caso da camisa do clube, vai ficar para a próxima pois o produto estava sold-out (o clube é o atual campeão chines e a procura deve estar em alta). Aproveitei para comprar outros ítens, confesso que mais para testar o processo, e me surpreendi positivamente com uma entrega em apenas dois dias.


Alibaba x Tencent

Segundo estudos da McKinsey, o comércio eletrônico na China vai movimentar aproximadamente US$ 395 bilhões em 2015. O Grupo Alibaba esta pronto para fazer seu IPO e as estimativas apontam para um valor inicial de cerca de US$ 105 bilhões.

Ma engana-se quem pensa que este enorme mercado online chines goza do equilíbrio e da paz típicas dos mosteiros tibetanos. Ele vem atraindo fortes players e causando, nos bastidores, uma enorme guerra entre dois dos principais grupos online do país, o Alibaba (comércio eletrônico)  e a Tencent (redes sociais, comunicação e portal online). Como vimos no post anterior, a Tencent é a fundadora do QQ e do WeChat e é extremamente poderosa nas redes sociais. Com mais de 300 milhões de usuários no WeChat, a Tencent vem tentando obter participação nas transações online, terreno dominado pelo Alibaba. E a briga entre os dois é pesada. No início do mês passado o grupo Alibabá proibiu seus usuários de efetuar pagamentos utilizando a recem anunciada plataforma de pagamentos via WeChat. A justificativa foi que alguns usuários do Taobao estavam finalizando suas transações pelo WeChat para evitar o pagamento da comissão devida ao grupo. A briga promete continuar, na medida que os dois grupos vem tentando ganhar mais espaço nas transações financeiras na China.

Um pouco mais sobre as Redes Sociais

Além redes apresentadas no último post, como o RenRen, o QQ e o WeChat, e das plataformas de comércio eletrônico, na China ainda temos os equivalentes ao Google e ao Twitter. 

Baidu

O Baidu é o correspondente local do Google. Tem uma interface similar e funciona da mesma forma. Não sei dizer se os algorítmos de pesquisa são equivalentes, mas pelo que percebi funciona da mesma forma e oferece as mesmas funcionalidades de busca avançada. É fácil de usar e bem intuitivo para quem já usa o Google.
Weibo

O Weibo é o twitter local e, da mesma forma que seu similar ocidental, permite o compartilhamento de informações com até 140 caracteres. 


Concluindo

As Redes Sociais na China são uma potencia e são frequentadas diariamente por centenas de milhões de chineses que as usam para simplesmente tudo. Atualmente, o WeChat é o grande destaque e vem crescendo muito. A disputa pela liderança é forte pois o tamanho do mercado é enorme. Vamos acompanhar os próximos capítulos.a

domingo, 8 de setembro de 2013

Redes Sociais na China, Parte 1: QQ, WeChat e RenRen

Quando falamos sobre Redes Sociais sempre nos remetemos ao Facebook, Instagram, LinkedIn e outras mais. No entanto, quando o assunto é a China fica sempre aquela pergunta... "e na China, também usam o Facebook?" Dediquei parte da minha experiência no país para conhecer um pouco mais sobre quais são as redes sociais mais usadas por aqui e como elas são utilizadas. Conversei com estudantes e com pessoas no meu cliente. Li artigos publicados em sites especializados e, claro, me registrei nas principais redes. Este é o primeiro post de dois em que pretendo abordar um pouco mais sobre o tema. Claro que não sou um grande especialista em nenhuma das redes chinesas mas minha idéia é tentar comparar o que é usado na China com o que usamos.

QQ

A China tem a maior população do planeta. São mais de 1.3 bilhão de pessoas e, seguramente, um dia serão a maior população online. As redes sociais já estão por aqui há algum tempo. Talvez a primeira delas tenha sido a QQ.com, que começou como um provedor de serviços na Internet e foi ampliando sua área de atuação. Atualmente oferece notícias, jogos online e muito mais. E, por ter sido a primeira, tem o maior número de usuários. Em março deste ano já tinha quase 800 milhões de usuários cadastrados, segundo relatório trimestral de resultados da empresa, liberado em 20 de março deste ano (existem divergências sobre os números reais, da mesma forma que existem discussões sobre o real número de usuários ativos do Facebook e, portanto, optei por usar os números no relatório anual da empresa).

O QQ tem uma versão "internacional". Com ela é possível ter acesso a notícias, jogos, email, compras e até mesmo compartilhar fotos, de qualquer lugar do mundo, utilizando uma interface em inglês, francês, alemão ou espanhol, além do chinês. Além disso, claro, você pode conversar com seus amigos online. Se o serviço já conta com 800 milhões de cadastrados, chance grande de seus amigos estarem entre eles.

Aplicativo QQ para Windows
O QQ tem várias funcionalidades interessantes como, por exemplo, o Instaviewer, que funciona como um visualizador para o Instagram.

InstaViewer, integrado com o Instagram para visualização de posts
QQ News
WeChat

Com o crescimento do uso de smartphones, a Tencent, criadora do QQ, lançou em janeiro de 2011 o WeChat, que já tem mais de 300 milhões de usuários. O aplicativo, voltado para dispositivos móveis, é bastante parecido com o WhatsApp e é usado para envio de mensagens de texto ou de voz. Ele tem como alvo o mercado internacional, mas é muito usado por aqui uma vez que qualquer usuário do QQ pode ter uma conta. Ou seja, dos 800 milhões, muitos já utilizam o WeChat em seus dispositivos móveis. Para o mercado internacional, a empresa contratou Messi como "garoto propaganda".

Relação de conversas (chats)

Espaço para compartilhar fotos, mensagens, etc
Da mesma forma que no WhatsApp, você pode enviar mensagens de texto para amigos e, se preferir, mandar uma mensagem de voz. Ou seja, usando um smartphone, não precisa ficar digitando a mensagem, basta pressionar um botão e começar a falar. A mensagem é gravada e enviada. Também é possível enviar fotos, usar emoticons e muito mais.

Basta pressionar o botão na parte inferior do app
e gravar uma mensagem para ser enviada para seu amigo

RenRen

Outra força das Redes Sociais na China é o RenRen, também conhecido como o "Facebook da China" pela aparência na interface e na funcionalidade. Fundado em 2002 com o nome de Xiaonei (isso mesmo, antes do Facebook, mas com outras funcionalidades), em 2009 foi rebatizado para RenRen que, em uma tradução livre, significa "de todos". É simples de utilizar e bem intuitivo, mesmo para quem não entende uma simples palavra de chinês. E, claro, com a ajuda de um tradutor online fica tudo mais fácil. 

Funciona como o FB, você constroi sua rede de amigos e compartilha atualizações de estado, fotos, filmes, etc. Achei bacana que você pode ditar uma atualização de estado... o RenRen reconhece o que você fala e escreve o post. Sim, eu testei essa funcionalidade! Usei um app que tenho no iPhone que fala frases básicas em chinês para o teste. E depois verifiquei no tradutor online. Funcionou direitinho. 

Microfone ativado para reconhecimento de voz enquanto você dita uma atualização de status
Outra funcionalidade que achei bem interessante é um player de música embutido. Você pode ativar e ouvir músicas selecionadas aleatoriamente ou, se preferir, escolher um estilo musical qualquer. O legal é que você ainda pode compartilhar com os seus amigos as suas preferências musicais. 

Ren Ren Music Player
De resto, é bem parecido com o FB. Interessante é que algumas pessoas com quem conversei comentaram que este é um serviço "antigo", em decadência. Outras redes, como o QQ Int e o WeChat vem ganhando popularidade a passos largos.


No próximo post, quem é o Twitter da China? E o YouTube? E vou falar um pouco sobre comércio eletrônico... Amazon na China? Google?

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Enviando Cartões Postais na época das Redes Sociais

Agência do China Post em Yin Chuan
Em janeiro de 1986 passei um período de 3 meses na Alemanha, trabalhando na Siemens, em Munique. Lembro-me claramente daquele inverno. Saí do Rio de Janeiro com uma temperatura de 42 graus e cheguei em Munique debaixo de uma nevasca que congelou a cidade, com termômetros chegando a -20 graus. Também me recordo de como eu me comunicava com a família e com minha namorada, atualmente minha esposa. Basicamente havia apenas duas formas. Eu podia enviar uma carta (ou um cartão postal) ou podia ligar (ok, também podia mandar um telegrama, mas isso já era relativamente pouco comum para uso pessoal). Escrevi várias cartas, que demoravam em torno de uns 10 dias para chegar no destinatário. As ligações, a maioria delas fazia de um telefone público, pagando com moedas de 5 Marcos alemães por cada minuto.

Quase 30 anos depois, o mundo mudou completamente. As longas cartas escritas a mão se transformaram em emails. As caras ligações telefônicas, que me obrigavam a carregar várias moedas, se transformaram em chamadas via sistemas baseados em IP como o Skype ou o IBM SUT (IBM Sametime Unified Telephony). Os tradicionais cartões postais se transformaram em fotografias digitais, de minha autoria, personalizadas, e compartilhadas instantaneamente com amigos e com a família via Instagram e Facebook. Isso sem falar no WhatsApp, YouTube, Pinterest e outras tecnologias já disponíveis.

A carta, com o cartão postal no interior,
já selada e preparada para envio
Com este cenário em mente, hoje decidi fazer uma experiência e enviar um cartão postal para minha família diretamente de Yin Chuan, interior da China. O primeiro desafio foi encontrar um cartão postal. Como não estou em um grande centro, a tarefa foi bem complicada. Acabou que consegui um do próprio hotel, mas não foi fácil. Não vi absolutamente nenhum a venda pela cidade.

O segundo desafio foi encontrar uma agência dos correios. Com a ajuda sempre solicita da recepção do hotel consegui localizar a mais perto, que fica a apenas 5 quadras.

Finalmente, a etapa mais importante, enviar o cartão. A agência é bem grande e, aparentemente, bastante usada, principalmente para envio de pacotes. Havia dezenas de pessoas mandando pequenos pacotes. Ninguem falava inglês e, portanto, tive que “usar a pista toda” na linguagem dos sinais. Quando entenderam que eu queria mandar uma carta para o Brasil ficou fácil. Fizeram uma pesquisa, descobriram a tarifa e me venderam 3 selos de 2 RMBs cada... valor total de pouco menos que 3 Reais. Colocado o cartão na caixa de correio, a primeira etapa da missão estava cumprida. Agora é esperar e ver quanto tempo vai demorar (se chegar, é claro).
Funcionários do China Post selecionando os selos
para minha correspondência

Última etapa, colocar a carta na caixa dos correios
Confesso que foi uma experiência bem interessante. Uma vez que nos acostumamos a usar as novas tecnologias de comunicação, ter que usar os correios para enviar um cartão postal me pareceu bem pitoresco, quase que uma visita a um museu. Todas estas transformações vem contribuindo para que aquele longínquo inverno de 1986, antes da queda do muro de Berlin, fique cada vez mais, literalmente, no século passado.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

IBM CSC China, a primeira semana


Hoje completou uma semana que estou na cidade de Yin Chuan, na China, participando do IBM Corporate Services Corp (CSC), um programa da IBM para desenvolvimento de profissionais e líderes globais. Foi uma semana incrivelmente intensa e recheada de novidades e surpresas. A jornada começou por Beijing, na quinta-feira passada, dia 15, depois de 26 horas de viagem a partir do Rio de Janeiro, com uma escala em Dubai. Logo na chegada, a primeira surpresa, bem positiva. O Chinês é um povo extremamente gentil e atencioso, que se esforça para estabelecer comunicação, mesmo que não saiba falar outra lingua além do Mandarim (e muitos falam inglês).

Como estamos no verão por aqui, o calor é literalmente insuportável e a umidade colabora para que a sensação térmica seja ainda mais alta. Resumindo, faz muito, mas muito calor mesmo, tanto durante o dia como a noite. A poluição também chama a atenção. Meu vôo chegou as 15hs e, apesar de ser um dia sem chuva, não dava para ver o sol.


O aeroporto de Beijing é simplesmente enorme, moderno e funcional. Impossível comparar com qualquer aeroporto no Brasil e seguramente melhor do que muitos outros grandes aeroportos pelo mundo. É possível ir do aeroporto para a cidade utilizando o sistema de transporte público integrado com o metrô, que sai do terminal de desembarque. O problema é que, logo de cara, você tem a impressão de que metade da população da China está junto com você. É incrível a quantidade de gente no aeroporto, no metrô ou nas ruas, a qualquer hora. Nos horários de pico, nem pense em usar o metrô. Nestes horários é comum ver funcionários vestidos de amarelo que tentam ajudaa as pessoas a entrar no vagão dando um empurrãozinho! É bem engraçado.


Apesar da quantidade de pessoas, o sistema de transporte em Beijing funciona extremamente bem e pode te levar a qualquer lugar. Além disso, é muito barato. Uma passagem custa 2 RMBs, o equivalente a uns 70 centavos de Real.

A missão em Yin Chuan

A minha missão principal da viagem, como membro do IBM CSC, é desenvolver um trabalho junto a empresa Ningxia Wolfberry Biological and Food Engineering Co. ltd. A empresa desenvolve e comercializa produtos a partir de uma fruta típica da região, a Wolfberry (o nome local é Goji). Trata-se de uma pequena fruta vermelha a partir da qual podem ser desenvolvidos vários produtos como suco de goji, a própria fruta desidratada e óleo de goji.

A empresa comecializa estes e outros produtos tanto no mercado externo quanto na China. No mercado internacional eles estão muito bem, comercializando milhões de dólares em produtos para diveros países como os EUA e outros mais na Europa. Nosso desafio é auxiliá-los a aumentar suas vendas no mercado doméstico, obviamente enorme e onde hoje, apesar de bem posicionados, não são os líderes. No entanto, eles possuem tecnologia de ponta e várias patentes registradas, o que confere alta qualidade aos seus produtos.


Iniciamos os trabalhos na segunda-feira, com uma cerimônia de kick-off que contou com a participação de executivos dos clientes (somos um time que vai trabalhar com 4 clientes da região), da IBM, da empresa que gerencia todo o programa e de um representante da associação local de jovens empreendedores. 


Logo na parte da tarde tivemos a primeira reunião na sede do cliente. A experiência de uma reunião com tradução é bem diferente. A cada pergunta que fazemos, as intérpretes (no caso são duas), a traduzem para os executivos do cliente. Aí então se inicia uma longa conversa entre eles até que a resposta é apresentada para nós. Ou seja, uma reunião típica acaba durando umas duas horas, facilmente. E todas as reuniões são "regadas" a suco de goji.


Um dos grandes desafios que eles enfrentam em se tratando de mercado doméstico está exatamente em desenvolver sua área de eCommerce. E, para tratar deste ponto, um dos caminhos é exatamente fazer maior uso das mídias sociais, além de sites locais de marketplace. Para isso, estou fazendo uma análise sobre as redes sociais na China. Em breve um post dedicado exclusivamente a elas, aguardem!

Durante as próximas 3 semanas desenvolveremos um estudo com recomendações baseadas em nossas reuniões e entrevistas com os executivos e funcionários da empresa. Mais detalhes em breve! Boa noite! Quer dizer, bom dia, para os que estão no Brasil.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

China, o início da jornada, parte 2


A estrada é realmente longa, quero dizer, bem longa. O vôo, pela Emirates, é muito bom. Do Rio até Dubai são 14 horas. Depois, uma escala de 5 horas no aeroporto de Dubai, que mais parece um moderníssimo shopping center, aberto 24 horas por dia. Finalmente, mais uma "perna" de 7 horas. Escrevo este post voando de Dubai para Beijing, a 10 mil metros de altura, utilizando o acesso a internet via satélite disponível no avião. O A-380 double deck é uma joia da aviação. O upper level vale cada segundo. Conforto, serviço e espaço para trabalhar ou navegar pela Internet. Em uma viagem longa, ajuda a minimizar o jet lag.

Complementando o primeiro post, compartilho algumas das minhas expectativas para as próximas semanas:
  1. Acredito que o maior desafio será cultural. A história da China é extremamente rica e bem diferente das civilizações ocidentais. Ela possui tradições fortes, cultivadas durante gerações. Particularmente estou otimista e acredito que tenha flexibilidade suficiente, mas é algo que me deixa ansioso. 

  2. A língua também pode ser um obstáculo mas tradutores ajudarão a minimizar este problema. No vôo do Rio para Dubai me sentei ao lado de um chinês e conversamos bastante. Mas definitivamente não é um inglês que tem o accent com que estamos acostumados. Será um desafio, até acostumar o ouvido.

  3. A comida será outro desafio. Não tenho grandes restrições, mas sabemos que os temperos e gostos são distintos. Em uma viagem de uma semana pode não fazer diferença, mas em um mês a história é diferente.

  4. Como serão as redes sociais na China? Sabemos que existem restrições ao acesso às redes que normalmente usamos, como Facebook, Twitter e YouTube. Sabemos também que existem outras, equivalentes, e tão grandes como as que usamos.

  5. Será que conseguirei ter acesso aos sites que normalmente uso para obter notícias?

  6. Qual será a melhor forma para se comunicar com o Brasil? Aparentemente, telefone é uma opção viável, mas cara. Consigo me virar com o IBM Sametime Unified Telephony (SUT)? E soluções não seguras como o Skype?
Acredito que eu tenha flexibilidade suficiente para fazer com que esta jornada seja realmente rica, tanto para minha formação pessoal quanto profissional. Respeito às tradições e a cultura, transparência, honestidade e um interesse genuino pelos desafios que virão pela frente irão ajudar.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

China, o início da jornada


Hoje inicio uma jornada de quatro semanas como membro do IBM Corporate Services Corps (CSC), na China. O programa, desenhado pela IBM, foi lançado em 2008 com três objetivos principais:
  1. Oferecer um treinamento de alta qualidade em liderança
  2. Proporcionar uma experiência única a profissionais da IBM
  3. Suportar o desenvolvimento de organizações e empresas em mercados emergentes
Durante as próximas semanas minha cidade base será Yin Chuan, no norte da China. Por que a China? Somos frequentemente expostos a notícias e reportagens que nos mostram o forte crescimento de sua economia e a profunda transfrormação pela qual sua sociedade está passando. Todos sabemos que estamos falando de uma potencia com mais de um bilhão e trezentos milhões de habitantes. Vejam mais alguns detalhes:
  1. Apenas para se ter uma noção, se tomarmos 25% da parcela da população com maior coeficiente intelectual, já estamos falando de um contingente maior do que a população total da europa ocidental.
  2. Em breve, a China será o país com maior número de pessoas falando inglês em todo o mundo
  3. Existem atualmente mais de 300.000 milionários na China
  4. A China vem fazendo investimentos pesados em infraestrutura em todo o país, como estradas, aeroportos modernos e uma rede de trem bala ligando as principais cidades. Atualmente, possui a maior malha ferroviária de alta velocidade do mundo, com mais de 9 mil quilômetros em operação.

Yin Chuan


A China é dividida em 22 províncias (considera Taiwan como a vigésima-terceira), 5 regiões autônomas, 4 municípios (Pequin, Xangai, Tianjin e Chongqung) e 2 regiões administrativas especiais (Hong Kong e Macau). As regiões autônomas tem como principal característica ser administradas por minorias.


A cidade de Yin Chuan é capital da região autônoma de Ningxia, e fica ao norte da China, próxima a fronteira ocidental da Grande Muralha da China. Aproximadamente 2 milhões de pessoas vivem na cidade. A economia da cidade baseia-se fundamentalmente no cultivo de trigo, arroz, maça e da fruta wolfberry, conhecida na China como Goji. O estado é o principal produtor da fruta no país, largamente consumida em diversos outros países.

A principal atividade que desenvolverei será junto a uma empresa local que produz trabalha com a fruta Wolfberry (localmente conhecida como Goji), a Ningxia Wolfberry Biological and Food Engineering Co, Ltd.


Nesse momento, estou a caminho de Beijing, mais precidamente no aeroporto de Dubai, aguardando a conexão. Para não ser diferente, conexão wi-fi gratuita e de alta qualidade.

Para completar o primeiro post da série:

Dê a quem você ama: asas para voar, raízes para voltar e motivos para ficar!  
(Dalai Lama)