quinta-feira, 16 de junho de 2011

IBM, 100 Anos de Inovação



Hoje, 16 de Junho de 2011, a IBM completa 100 anos. É uma data realmente única para qualquer empresa e que deve ser comemorada. Para se ter uma idéia da importância desta data, basta imaginar que quase todas as empresas que foram um dia admiradas por nossos avós já não existe. Das 25 principais empresas industriais que existiam em 1900, apenas 2 continuavam ativas no ano de 1960 e, das 25 "top" empresas na lista "Fortune 500" em 1961, apenas 6 permanecem vivas hoje.

É interessante notar a enorme transformação pela qual a IBM passou. Uma empresa que antes mesmo de ser criada, começou sua vida com máquinas de tabulação, incentivada pelo censo de 1890 nos EUA. Depois disso, o que se viu foi um processo interminável de novas idéias, de inovação.


Nos últimos 20 anos a IBM liderou o registro de novas patentes nos EUA. Apenas para se ter uma idéia, em 2010 foram emitidas 219.614 patentes nos EUA, e a IBM é a empresa que mais patentes registrou, com 5.896.


Faz poucos dias, assisti a uma apresentação bem interessante. Nela, em um determinado ponto, o autor mostra uma máquina de escrever elétrica e, na mesma página, vem uma pergunta... "e se tivessemos parado por aqui?".

Já dizia o Prof. Yves Doz, do Insead, França... “Muitas empresas estão morrendo não porque façam coisas erradas, mas porque elas continuam fazendo a coisa certa por um tempo longo demais”

Inovar é preciso, sempre.Que venham os próximos 100 anos. Parabéns!

terça-feira, 7 de junho de 2011

Seis Graus de Separação e Três de Influência


Seis Graus de Separação

Muito provavelmente você já ouviu a expressão "seis graus de separação". Pode ter sido em conversas com amigos ou você pode ter assistido ao filme, de 1993, estrelado por Donald Sutherland e Will Smith (1). Basicamente, a idéia é que podemos alcançar uma pessoa qualquer no mundo através de um caminho formado por pessoas conhecidas umas das outras, com no máximo 6 graus de separação, em média. Para entender melhor, um amigo seu está a um grau de separação de você, um amigo do seu amigo está a dois graus de separação e um amigo de um amigo do seu amigo está a três. Em tese você poderia enviar um bilhete para o Papa, por exemplo, enviando-o, em primeiro lugar, para um amigo seu que tenha conexões na Igreja Católica ou na Itália. Este seu amigo, em sequência, enviaria o bilhete para outro amigo e por aí sucessivamente até chegar ao destino desejado... em 6 conexões, na média.

Este conceito surgiu inicialmente na década de sessenta, através de uma experiência executada por Stanley Milgram (2). Ele selecionou algumas centenas de habitantes do estado americano de Nebraska e solicitou a cada uma delas que enviassem uma carta para um determinado comerciante em Boston, desconhecido direto deles. O desafio era enviar a carta para um conhecido, que teria mais chances de conhecer alguem em Boston, sucessivamente, até chegar ao seu destino. Cada "envio" foi devidamente registrado e ao final, na média, cada correspondência precisou passar por seis passos para chegar. Já viviamos, naquela época, em um "Small World".

O estudo inspirou a mídia, que produziu um filme, uma peça de teatro e até mesmo um jogo de adivinhações, liderado por Kevin Bacon (2). Na época, ainda não havia o conceito de Redes Sociais como o conhecemos hoje. No entanto, o estudo serviu de base para diversos outros, principalmente na área de sociologia, para análise comportamental, por exemplo. Anos mais tarde, alguns questionamentos sobre a validade do estudo, principalmente pelo fato dele sido feito dentro dos EUA, ou seja, limitado tanto geograficamente quanto culturalmente, motivaram alguns estudiosos a repetir o experimento, em uma escala global. Em 2002, Duncan Watts, Peter Dodds and Roby Muhamad replicaram a experiência, desta vez usando email para a mensagem. Eles selecionaram aproximadamente 98 mil pessoas, a maioria nos EUA, e solicitaram que elas enviassem um email para outras pessoas previamente selecionadas em outros países. Novamente o padrão pode ser observado... "Small World", novamente...

Três Graus de Influência

No entanto, uma outra questão foi levantada. Mesmo alcançando pessoas com até seis graus de separação, será que temos a capacidade de influenciar estas pessoas? Nicholas Christakis, um sociólogo pesquisador em Harvard, e seu colega James Fowler, decidiram investigar este tema em mais detalhes e concluiram que, na média, nossa capacidade de influência está limitada a 3 graus de separação (3). Eles relacionam 3 motivos para isto.

Para o primeiro motivo eles usam a analogia de uma pedra lançada em uma superfície líquida parada. O impacto provoca ondas que se propagam pela superfície líquida e que vão perdendo sua intensidade a cada vez que se afastam do local de impacto. Na prática, nossa capacidade de influenciar um amigo é alta. Já para influenciar um amigo de nosso amigo, é menor, e por ai sucessivamente.

O segundo motivo está associado ao que eles chamam de "instabilidade intrínseca da rede". A idéia é que as conexões além de três graus seria mais instáveis. Ou seja, sua conexão com um amigo próximo é forte, pois ele pode ser um parente, um colega de trabalho ou alguem com quem você mantem contato. No entanto, a força das conexões tornam-se mais fracas a medida que se afastam de você.

Por último, eles associam uma característica da própria evolução humana. Historicamente, humanos tendem a se agrupar em grupos pequenos e é mais comum desenvolvermos relações até um determinado grau, o terceiro. Em tese, eles entendem que temos pouca ou nenhuma capacidade de influenciar pessoas a mais de três graus de separação uma vez que em nossa história, o ser humano nunca teve condições de fazê-lo.

Os dois estudos são bastante interessantes e levantam algumas questões... No mundo atual, com as novas tecnologias...

1) ... será que conseguiriamos reduzir os 6 graus de separação entre quaisquer duas pessoas?
2) ... será que temos condições de influenciar mais pessoas a mais de 3 graus de separação?
3) ... se realmente tivermos condições de influenciar pessoas a mais de 3 graus de separação, qual será o impacto em aspectos culturais? e políticos? e religiosos?

Uma coisa ao menos é certa. Independente de eventuais mudanças nestas teorias, mandar um email de qualquer lugar do Nebraska para Boston, hoje, é infinitamente mais rápido do que na década de sessenta.

(1) http://en.wikipedia.org/wiki/Six_Degrees_of_Separation_%28film%29
(2) http://en.wikipedia.org/wiki/Stanley_Milgram
(3) http://www.wjh.harvard.edu/soc/faculty/christakis/

Conectado, a 10 mil pés de altitude...


Definitvamente caminhamos para um mundo em que estaremos conectados 100% do tempo. Escrevo este post a bordo de um boeing 737, indo de Miami para a Cidade do México, à mais de 10 mil pés de altitude. O que isto significa? Dentre outras coisas, que o alcance das redes sociais cresce a cada dia. Onde quer que estejamos, a tendência é que possamos estar em contato o tempo todo.

Inicialmente tivemos as redes locais (LAN), depois vieram as redes de alcance maior (WAN), mais tarde os dispositivos móveis, smartphones, tablets, etc. Agora, mesmo voando é possível compartilhar informações, entrar em contato com amigos ou trabalhar, usando uma rede sem fio.

O serviço de rede sem fio a bordo não é novo, mas é algo ainda disponível em algumas rotas internacionais selecionadas. Viajando dentro dos EUA, já é comum. Hoje, mais da metade dos vôos já oferece o serviço. No Brasil, entrou em operação no ano passado, ainda em poucas rotas. 

Get Social at 10k!

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Privacidade - A principal "moeda de troca" em Redes Sociais


Uma pesquisa recente conduzida pela empresa NetPop (1), entre 1253 usuários de redes sociais com acesso de banda larga nos EUA mostrou que 73% contribuem de alguma forma em sites de redes sociais (seja usando email, Facebook, Twitter ou outro qualquer). De um total de 169 milhões de usuários de banda larga nos EUA, aproximadamente 66 milhões, 39%, compartilham informações. É um número realmente expressivo, maior do que a população de muitos países. E não pára de crescer (2)

No entanto, a mesma pesquisa mostra que cerca de 80% destes usuários se dizem "desconfortáveis" com a questão de privacidade online ou, no mínimo, tem dúvidas com relação a mesma. São números importantes e que mostram claramente que o principal ponto de questionamento com relação aos sites sociais é a questão de privacidade.

A pesquisa faz uma comparação interessante entre o Facebook, o Twitter e o YouTube. Dos três, o FB é o que apresenta maior índice de insegurança dos usuários. Os pesquisados consideram que tanto o Twitter quanto o YouTube oferecem maior controle sobre a questão da privacidade. O YouTube é o que apresenta o melhor índice NPS (Net Promoter Score, indicador que aponta o quão propenso um usuário pode recomendar ou promover um site).

Todos sabemos e compartilhamos diariamente preocupações com relação a segurança e privacidade na Web. Convivemos com a ameaça de vírus já faz muitos anos, assim como a de fraudes bancárias ou em transações em geral. Mais recentemente, a questão de privacidade, diretamente relacionada a proteção de nossos dados e divulgação de forma indevida, se tornou uma constante.

O resultado da pesquisa aponta claramente para aquela que é a maior "moeda de troca" hoje disponível na Web, a Privacidade. Para obter sucesso, cada vez mais as novas redes sociais vão ter que cuidar atentamente deste ítem. Oferecer a seus usuários políticas claras de segurança de dados e acesso a informações. Casos recentes como o do Facebook, da Google e o da Sony mostram que ainda existe muito a ser feito nesta área,

Eu, particularmente, tenho minha própria "política de privacidade" ou, mais ainda, "política de uso" de redes sociais. Sou um power user delas, tanto aqui em meu blog quanto no Facebook, no Twitter,e até mesmo no The Pet's Universe (3), criada por mim, e reconheço integralmente seu inestimável valor em diversas esferas como informação, ensino, networking, relacionamentos e muito mais. No entanto, estou seguro de que muito ainda tem que ser feito no que diz respeito a privacidade nas redes sociais públicas.

(1) http://www.netpopresearch.com/
(2) http://www.netpopresearch.com/node/reportdownload/26713
(3) http://www.thepetsuniverse.com/

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Gotta share!

Qual a primeira coisa que você faz pela manhã? Escovar os dentes? Ou verificar os últimos emails em seu smartphone? Como você se atualiza sobre as notícias do dia, lendo o jornal pela manhã ou navegando pela Internet durante o dia? E qual a última coisa que você faz antes de dormir, ler um livro ou verificar seu email, novamente usando seu smartphone.

Estamos cada vez mais tempo "conectados". Usamos email com alta frequência e compartilhamos informações em Redes Sociais a cada momento do nosso dia. Facebook, Twitter, LinkedIn e Tumblr consomem boa parte de nosso valioso tempo. A palavra da moda é "compartilhar". Jovens compartilham fotos e informam que chegaram a um restaurante ou evento.

No entanto, muitas vezes nos esquecemos que o ato de "compartilhar" é algo que está intimamente ligado à nossa existência e não é uma característica da geração Y. A civilização humana sempre "compartilhou" os mais variados temas. As antigas inscrições nas paredes das cavernas já eram uma forma de registrar e compartilhar eventos. O mesmo fenômeno pode ser observado na China, no Egito antigo, na Grécia, no Perú ou no México, em formatos diferentes, mas sempre com o objetivo de compartilhar informações, de registrar eventos.

Atualmente, com o suporte da tecnologia, é possível compartilhar informações de forma muito mais dinâmica e efetiva. As atuais Redes Sociais permitem que informações sejam difundidas em tempo real. A grande questão que ainda está sem resposta está relacionada com os limites a que podemos chegar, tanto em termos de quantidade de informação como em qualidade e privacidade.

O vídeo abaixo (1) é uma brincadeira feita sobre o tema, interessante e que nos faz pensar sobre estes limites.


(1) http://www.ted.com/talks/gel_gotta_share.html

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Connect.me - Reputação Digital e Privacidade podem conviver?

Uma nova Rede Social vem fazendo barulho. Lançada em março deste ano, a rede Connect.me (1) conseguiu um crescimento viral e com menos de 24hs já tinha passado de 20 mil usuários registrados. Impressionante o sucesso obtido em tão pouco tempo. Mais impressionante ainda é saber que a rede está "fechada", só abre em junho, e quem se registra ainda não sabe exatamente para que ela vai servir e como vai funcionar.

Vejam o que foi postado no blog da rede, por um dos seus criadores, 48 horas após seu lançamento:

"While we’re not yet ready to say what Connect.Me the product is about, we are ready to say what Connect.Me the company is about. A great place to start is with this wonderful illustration (by Joe Zeff Design) from this week’s TIME magazine article by Joel Stein on Your Data For Sale.

We’re about a solution to this problem. How people can have trusted relationships with businesses and communities on the web without sacrificing their privacy or surreptitiously surrendering their personal data."

No fundo, parte da proposta deles é criar uma rede social baseada em "relaçoes confiáveis" em um mundo não confiável. Obviamente, no mundo aberto das redes sociais como o Orkut e o Facebook onde as pessoas colocam informações nem sempre "acuradas" para dizer o mínimo, não deixa de ser uma proposta bem intencionada. Ainda é difícil dizer se vai fazer sucesso, mas o mais interessante é que ela aborda, em um formato diferente, um problema que vem deixando muita gente sem sono, o da privacidade no mundo Web.

Tenho participado de inúmeros projetos para implementação de redes sociais corporativas. Em todos eles, existe a preocupação saudável de respeitar a privacidade dos funcionários e a segurança das informações. Isto é possível quando você está em um ambiente controlado e, obviamente, com uma solução adequada que envolve, não somente tecnologia, mas também gestão de mudança e governança. Como já venho discutindo faz um bom tempo, Redes Sociais devem ser analisadas em uma dimensão maior do que simplesmente tecnologia. É fundamental analisar a questão comportamental, cultural de uma empresa.

Connect.me parece uma abordagem interessante. "Reputação Digital" é um tema muito sério, afeta tanto pessoas quanto empresas e deve ser tratado da forma correta. A proposta inicial deles, das pessoas se classificarem mutuamente pode dar certo desde que todos usem a rede de forma idônea. Por exemplo, um usuário qualquer pode classificar seus conhecidos da forma correta ou não. O tempo vai dizer se a proposta faz sentido.

No momento, é apenas mais um exemplo de como a viralização pode criar fenômemos literalmente da noite para o dia, como foi o caso deles. "Stay Tunned".

Pra fechar este post, um vídeo sobre privacidade criado pela revista Time (2).

 

(1) http://connect.me/
(2) http://www.time.com/time/business/article/0,8599,2058114,00.html

domingo, 8 de maio de 2011

Hiperconectados

Quantas vezes por dia você acessa o Facebook? Você frequentemente compartilha e comenta posts no FB? Quantos amigos você tem na vida real? E na Rede? Quantas vezes você atualiza o seu status no Twitter? Você mantem um blog, um site? Quando você sai com amigos fica navegando em seu smartphone?

Vivemos em um mundo cada vez mais conectado. O tema já vem sendo estudado por especialistas faz algum tempo. Nicholas Christakis, renomado sociólogo dedicado ao estudo de redes sociais, publicou em 2009 um livro sobre nosso mundo hiperconectado e a influência no comportamento (1). Estudos recentes indicam que o número de hiperconectados tem aumentado bastante, principalmente entre pré-adolescentes e adolescentes. O assunto também já foi discutido na Campus Party do ano passado (2).

O fato é que estamos vivendo em um mundo cada vez mais conectado, não apenas entre pessoas, mas também entre pessoas e objetos. E a tendência para os próximos anos é que vejamos um aumento significativo nesta que é uma das marcas registradas deste início de século.

O vídeo abaixo é uma ilustração do que está por vir... o único risco é que, apesar de todas estas conexões, sejamos cada vez mais solitários...


(1) http://www.amazon.com/Connected-Surprising-Power-Social-Networks/dp/0316036145
(2) http://noticias.r7.com/tecnologia-e-ciencia/noticias/pre-adolescentes-hiperconectados-negam-que-internet-atrapalhe-a-licao-de-casa-20100126.html