segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Weak Links - O valor social dos elos fracos


Faz muitos anos que vou para o trabalho seguindo o mesmo caminho: a praia de Ipanema (na foto, acima, vista do Arpoador), o Arpoador e logo em seguida, a praia de Copacabana e a Avenida Princesa Isabel. Faço o percurso diariamente quase no mesmo horário e, por mais curioso que possa parecer, vejo algumas pessoas regularmente. Uma corredora, que vai do Leme ao Posto 10 (baseado em minhas observações), um pedinte no sinal para entrar na Princesa Isabel, uma entregadora de jornais no sinal do cruzamento da Princisa Isabel com a Av. Nsa Sra de Copacabana e um fiscal de uma companhia de ônibus que pode estar em qualquer lugar entre o posto 5 e a Princesa Isabel, sempre caminhando com sua gravata e uma prancheta para anotações. Nunca parei para falar com eles. Não sei seus nomes e nem o que fazem da vida. Mas sei que eles estão ali, na periferia da minha "rede social".

A prática

Hoje resolvi parar para tentar conversar com o fiscal de ônibus. Muito simpático, o convidei para tomar um cafezinho em um bar na Princesa Isabel. Seu nome é Arnaldo Cintra, tem 53 anos e realmente trabalha como fiscal de transportes. Seu escritório é ali mesmo, na rua, todos os dias, das 6 às 11 da manhã, quando ele faz um intervalo para almoço. Depois, vai para a garagem da empresa, onde presta contas do movimento da parte da manhã. Ele conhece a dinâmica do trânsito naquela região muito bem. Sabe em quais horários o volume de carros aumenta, em que horário se pode trafegar com mais facilidade e até mesmo os dias da semana e do mês em que é melhor nem sair de casa, se seu percurso passa por alí. Ele tem um conhecimento bem interessante sobre mobilidade urbana (pelo menos naquele trecho da cidade) obviamente não estruturado, não formal. Depois do café, fiquei me perguntando se seu conhecimento é devidamente utilizado pela empresa para a qual trabalha.

A teoria

Nicholas Christakis, além de ser um renomado professor de Sociologia em Harvard, é um Cientista Social. Ele estuda os relacionamentos humanos muito antes dos efeitos das Redes Sociais. Grande parte dos seus estudos está direcionado para entender a capacidade de se influenciar outras pessoas, em uma rede qualquer. Sua teoria analisa os elos formados pelos participantes de uma rede e sua intensidade. Com base nisso, ele consegue identificar aqueles que mais contribuem em uma rede e como sua influencia é exercida. 

Em qualquer rede social, seja aberta ou privada, vamos sempre encontrar algumas "personalidades" típicas. Elas convivem quase que harmoniosamente, em um "equilíbrio social", cada um executando seu papel. Assim como temos aqueles que são facilmente identificados como principais influenciadores, também conhecidos como Tippers, temos aqueles que são mais "tímidos", que registram menos conhecimento e que, em um desenho de uma RSC aparecem na periferia, sem conexões com o restante da rede.


Como ligar a teoria com a prática?


O conhecimento coletivo de uma empresa está distribuido pelos elementos que formam sua rede social corporativa. Cada componente tem sua parcela de conhecimento, que pode ser compartilhada ou não. Aqueles que são mais tímidos ou que, por algum motivo, acabam posicionando-se na periferia e sem conexões, também possuem conhecimento e, principalmente, valor para a empresa. É um conhecimento que está, de alguma forma, isolado do restante da rede, não sendo devidamente utilizado pelo restante da empresa.

E aí está um dos grandes desafios de um projeto de uma RSC (Rede Social Corporativa), identificar os elos fracos e seus elementos, e fazer com que eles participem mais ativamente da dinâmica social da empresa. Eles não somente podem contribuir com o conhecimento que tem, mas podem também beneficiar-se de tudo o que já está registrado e sendo compartilhado na RSC. 

Para isso, é preciso ter mais do que simplesmente sistemas sofisticados de métricas sociais. É preciso analisar cuidadosamente os resultados delas. É relativamente fácil encontrar os grandes contribuidores. Afinal, eles registram conhecimento de forma ativa e, por isso, aparecem nos relatórios e estatísticas. E aqueles que não aparecem? Como identificá-los? Na IBM, internamente, utilizamos o IBM Small Blue para isso. Dentre as informações que ele pode fornecer, o diagrama abaixo é um bom exemplo.


No diagrama, nota-se claramente aqueles que tem mais conexões e os que estão na periferia. Este quadro acontece em qualquer empresa, em qualquer ecosistema. E é fundamental que se tenha uma visão clara dele pois somente assim podemos identificar os diferentes contribuidores. E, mais além, é possível identificar os que estão na periferia. Eles tem muito conhecimento para ser compartilhado e podem contribuir muito para a Inteligência Coletiva de sua empresa.

Neste cenário, fica a pergunta... Quantas vezes você passa por um colega de trabalho e não fala com ele? Quantos "fiscais de empresa de ônibus" existem em sua empresa?

PS.: O assunto "weak links" é motivo de sofisticados estudos acadêmicos, não apenas em Redes Sociais, mas em Sistemas Complexos. Um bom livro que trata do assunto é o "Weak Links: The Universal Key to the Stability of Networks and Complex Systems", de Peter Csermely.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Cemex e Social Business no IBM Forum 2012


Nos dias 15 e 16 de agosto, quarta e quinta-feira da semana que vem, a IBM vai realizar a sexta edição daquele que é o maior evento da empresa no Brasil, o IBM FORUM 2012. Durante estes dois dias, reunidos no Transamérica Expo Center, em São Paulo, executivos de clientes, de parceiros de negócios e da IBM vão compartilhar visões e tendências de mercado.

No dia 15, teremos como keynote speaker Rowan Gibson, um dos maiores especialistas globais em estratégia aliada ao negócio, autor de diversos best sellers como "Rethinking the future" e "Innovation to the core". É entitulado pela mídia como "um guru entre os gurus" e "mestre da inovação". No dia 16, será a vez de recebermos Jim De Piante - Executivo do IBM Research. Ele participou da criação do Watson, um sistema de inteligência cognitiva que marca uma nova era no uso de inteligência artificial. Jim apresentará os bastidores de sua criação e seus impactos na forma como a tecnologia será usada pelas empresas e pela sociedade.

Ainda no dia 15, na parte da tarde, teremos o prazer de ouvir o Sr. Miguel Angel Lozano, Diretor de Inovação na Cemex. Com muita honra fui convidado para fazer a abertura de sua apresentação. Ele falará sobre o Projeto Shift, implementado para incentivar a Inovação através de uma maior Colaboração entre seus colaboradores. Trata-se de uma oportunidade única de conhecer um pouco mais sobre a visão de um dos grandes líderes da indústria mundial sobre Colaboração, Inovação e Social Business. 

Durante dois dias, a IBM vai trazer especialistas para discutir formas de transformar o seu negócio, otimizando conhecimento e integrando inteligência através da tecnologia. Venha trocar ideias e conhecer as experiências que o ajudarão a escrever novas histórias de sucesso. 

sábado, 4 de agosto de 2012

"O sonho do rato", um retrato das Redes Sociais na China


Todos sabemos sobre as restrições impostas na China ao uso da Internet. Está na mídia, nas redes sociais, em qualquer lugar encontramos notícias sobre a censura vigente neste país. O caso da Google, que briga com o governo Chinês desde 2010, é um bom exemplo. Para continuar "operando" no mercado da China continental, a Google mudou o escritório de seu site de buscas para Hong Kong. De lá para cá, vem perdendo espaço no mercado local.

Mas existe vida dentro das muralhas da China, ou, poderiamos dizer, existe internet, existem Redes Sociais. Eles não tem acesso ao Facebook, mas tem o "renren", também não podem escrever post no Twitter, mas podem no Weibo, não tem o Google, tem o Baidu, e por aí vai.


Michael Anti (também conhecido como Jing Zhao) é jornalista e blogueiro há vários anos. Apesar da censura chinesa, ele escreve sobre a situação do país e sobre a relação de empresas multinacionais com a China. Ele ficou famoso quando a Microsoft simplesmente deletou seu blog no Windows Live Spaces, no final de 2005.

Recentemente, fez uma apresentação no TED em que falou sobre a situação da Internet e das Redes Sociais na China. É uma fotografia bastante impressionante do que está acontecendo por trás da Grande Muralha. A censura existe e regula tudo o que pode ser escrito nas redes sociais. Nomes e palavras especiais não podem ser utilizadas.

No entanto, existem fatos inusitados. O primeiro, a forma como a política foi implementada. Muito me lembrou nossa reserva de mercado. Empresas estrangeiras não podem prestar alguns serviços no país, a não ser que aceitem as regras locais (novamente, vide exemplo da Google). O segundo fato curioso é a forma com que o governo executa a censura. Segundo Michael Anti, em determinados momentos, quando é do interesse do governo, ele libera o uso de alguns recursos restritos. Normalmente, quando em disputas entre o governo central e os regionais, numa versão 2.0 do governo de Mao Tse-tung.

A quantidade de internautas na China assusta, e segue crescendo. Vai ser estranho se um dia acabarmos usando o renren e não o Facebook...

O vídeo, no início do post, é uma rara viagem à China, na voz de um de seus mais ilustres representantes. São 18 minutos muito bem investidos.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Town Meeting com Ginni Rometty, IBM CEO, e Social Business


Ontem, primeiro de Agosto, recebemos aqui no Rio de Janeiro, para um encontro interno, Ginni Rometty, Presidente e CEO da IBM. Carismática e incisiva, ela assumiu a posição em janeiro deste ano e é a primeira mulher na história da IBM a ser nomeada para o cargo. Antes disso, ela foi incluida na lista publicada pela Fortune das "50 Most Powerful Women in Business" por sete anos consecutivos, aparecendo em sétimo lugar no ano passado. Ginni Rometty é uma líder nata e compartilhou conosco sua visão da IBM, do mercado global e, principalmente, da oportunidade de crescimento que temos nos próximos anos. Dentre os principais temas discutidos por ela estavam Smarter Cities, Cloud, Analytics e Social Business.

A expressão "walk the talk" é antiga conhecida e indica uma pessoa cujas ações estão de acordo com o que ela fala. Ginni Rometty é um exemplo vivo. Logo em seu primeiro dia como CEO da IBM ela usou nossa Rede Social Interna para comunicar-se com os mais de 400 mil funcionários da IBM em todo o mundo. Criou um blog onde compartilha suas visões e opiniões e, principalmente, onde busca feedback. Seu discurso foi consistente com as ações que estão sendo desenvolvidas internamente na linha de Social Business.

Ao final da apresentação, peguntei a ela qual foi (ou qual está sendo) seu maior desafio com relação ao uso de uma Rede Social Corporativa. Sua resposta foi direto ao ponto: "educação" ("educate, educate, educate"). 

Existe muita confusão no mercado com relação ao valor de uma RSC. Muitos, ao falar sobre o tema, o associam diretamente com as redes sociais abertas como o Facebook. E isso cria uma situação complexa pois para cada um dos dois casos as motivações são distintas. No caso do FB, por exemplo, a principal motivação é compartilhar fatos da vida, fazer contato com antigos e atuais "amigos", mostrar fotos e vídeos divertidos, e por aí vai. Já em uma RSC, a motivação é bastante diferente, sendo muito mais orientada a Colaboração, Gestão de Conhecimento e Inovação, por exemplo.

Ela deixou claro que seu maior desafio foi o de fazer com que algumas pessoas entendessem essa diferença de "motivação". Para ser sincero, em alguns momentos eu me questiono se usar a expressão Rede Social Corporativa se aplica de fato a tudo aquilo que grandes empresas como 3MBoschTD Bank, Basf, Sun Life, Cemex, Sogeti, Rheinmetall AGChildren's Medical Center e muitas outras estão fazendo com o IBM Connections. Social Business é um termo que representa com mais propriedade pois conecta os conceitos de Social e de Business.

Resumindo, Ginni Rometty deixou uma mensagem clara. "Estamos entrando em uma nova era da Tecnologia da Informação" onde agilidade, transparência e colaboração farão toda a diferença. Utilizar adequadamente tecnologia, respeitando aspectos culturais e integrando com a arquitetura já em uso será um elemento chave e um diferenciador entre o fracasso e o sucesso de qualquer estratégia corporativa.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Social Business Eminence - NYC


Durante a semana passada participei de um evento em Nova Iorque dedicado exclusivamente a Social Business. Foi uma oportunidade única de ouvir alguns dos principais líderes da IBM com relação ao tema. Executivos como Steeve Mills, Bob Picciano, Michael Rhodin, Alistair Rennie e Sandy Carter compartilharam com um seleto grupo suas expectativas para os próximos anos. Um ponto comum no discurso de todos foi a visão clara de que Social Business transformou-se em um componente fundamental da estratégia de crescimento corporativo e que trata-se de muito mais do que simplesmente tecnologia.

Social Business é uma plataforma avançada de Colaboração, é o elemento de software que permite a uma empresa integrar pessoas, departamentos, processos e sistemas de forma única trazendo, ao fim do dia, valor real para o seu negócio. E, quando falamos em uma Plataforma, queremos dizer que a solução como um todo é composta por vários componentes. Quais são eles?
  1. Social Networking

    O primeiro componente é exatamente o software utilizado para montar a Rede Social Corporativa. Cabe a ele fornecer os elementos básicos necessários como perfis individuais, espaço para comunidades, para a produção de Wikis, de Blogs, etc. No caso da Plataforma IBM, este componente é implementado através do IBM Connections.

    Ele fornece toda a infraestrutura de software para que uma RSC seja criada, utilizada e mantida em uma empresa. Pode ser instalado nas dependências da sua empresa ou ser consumido como um serviço na nuvem, a escolha é sua. Na IBM, o utilizamos de forma bastante ampla. Há poucos anos, as duas principais ferramentas utilizadas para comunicação e colaboração na empresa eram o telefone e o email. Com o IBM Connections, surgiu uma nova forma de colaboração, onde funcionários compartilham informação, gerando conhecimento e valor para a empresa. 

  2. Social Content

    O segundo componente é o conteúdo que é gerado na RSC. Neste caso, estamos falando de  comentários, arquivos, apresentações, vídeos e muitos outros formatos.  São eles que, no final do dia, servem de base para pesquisas e trocas de conhecimento. Esta troca somente é possível uma vez que o conhecimento está devidamente armazenado e compartilhado.

    É importante entender aqui que o grande valor do Social Content está na forma como ele é utilizado pelas pessoas. Conteúdo armazenado não tem valor para o negócio sem que seja "processado" por pessoas. E é aí que o IBM Connections Content Edition brilha, ao permitir que pessoas possam não somente consumir o que está armazenado mas, também, contribuir com insights. Desta forma, cada documento, cada arquivo, passa a ter "valor social" contribuindo para a geração da Inteligência Coletiva, o bem maior que uma empresa pode ter e base para a geração de valor. Tudo isso com segurança e integrado a arquitetura corporativa de TI.

  3. Social Analytics

    O terceiro componente está relacionado com métricas, com análise das informações manipuladas pelos membros da RSC. E ele é fundamental para que se tenha uma idéia mais clara do que está sendo produzido e consumido pela empresa. Com Social Analytics, o IBM Connections pode, com base nas informações armazenadas, gerar recomendações de novos contatos ou de comunidades para participar. 

    Mais ainda, é possível ter acesso a um mundo de informações sobre o uso do Connections. Com base nestas informações, podem ser feitos ajustes finos na estratégia de adoção.
O mercado tem apresentado algumas iniciativas interessantes mas todas são pontuais, com a promessa de atender a uma determinada demanda. É fundamental entender que a integração entre os componentes, o fato de fazerem parte de uma única plataforma, apresenta um diferencial significativo para o sucesso de um projeto de RSC. Caso contrário, a tarefa de integração destes componentes vai ficar para a empresa, e ela demanda recursos altos.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Informação é Poder X Compartilhar é Poder



O final da década de oitenta marcou o início de minha vida profissional. Não haviam telefones celulares e nem microcomputadores. Usavamos terminais 3270, enormes "cabeças de dinossauro", como eram conhecidos,  que enfeitavam nossas mesas com telas pretas e letras verdes e davam um forte sentimento de poder tecnológico. Afinal, estavamos todos conectados a um mega computador central com capacidade de processar grandes quantidades de informação em alta velocidade. Nossos relacionamentos profissionais eram muito mais próximos, em termos geográficos, do que hoje. Quando precisavamos de uma informação relacionada com um determinado assunto fora de nossa área de conhecimento, procuravamos o "especialista" no tema, normalmente uma pessoa conhecida na organização, que tinha um cargo importante, uma sala e uma áura toda especial. Era o expert, o cientista, o "mosca da cabeça branca". Naquela época, me acostumei com a frase "conhecimento é poder" e a entender que aqueles que detinham conhecimentos específicos e profundos em determinados temas eram os poderosos da empresa, seres especiais que dedicaram sua vida a desenvolver "seu" conhecimento. Eles eram extremamente valorizados e tratados de forma especial. Eram quase que celebridades.

Naqueles longinquos anos ingressei no Mestrado em Engenharia da Computação na COPPE, UFRJ, buscando especialização em Inteligência Artificial. Trabalhavamos com sofisticados algorítmos, implementando Sistemas Especialistas, usavamos Prolog e, depois, Pascal e C. Nossos poderosos computadores eram da primeira geração da família x86 e nem possuiam discos rígidos. Ainda me lembro quando recebemos o primero computador com HD, de 5 MBytes... isso mesmo, eu disse 5 Mega Bytes. Conheciamos os super especialistas da área através de livros e papers, principalmente quando participavamos de congressos, como a Comdex e a Fenasoft.

Vinte e cinco anos depois, o mundo é outro. É raro usarmos um telefone celular. Hoje usamos poderosos smartphones que tem mais capacidade computacional do que os primeiros computadores pessoais. Passamos nossos dias envolvidos em uma quantidade muito maior de "pequenas tarefas" com o objetivo maior de atingir nossas metas pessoais e profissionais. Navegamos em Intranets sofisticadas que oferecem os serviços mais variados como aqueles relacionados com Recursos Humanos, suporte a vendas, acesso a informação e Help Desk, dentre outros. 

Nos últimos cinco anos, assistimos ao surgimento das Redes Sociais, tanto internas quanto externas às empresas. Quando necessitamos de uma informação específica, hoje, a buscamos através de uma Intranet Social. Quando precisamos encontrar um especialista, o buscamos em nossas Redes Sociais. Sofisticados sistemas de monitoramento e  de métricas sociais identificam, dinamicamente, os maiores contribuidores, os especialistas nos mais diversos temas. Usualmente, são profissionais extremamente ativos tanto na produção de conhecimento quanto no compartilhamento do mesmo. Estão conectados pela sua rede social a dezenas, centenas de outros profissionais, que podem estar na mesma sala ou em outro continente. 

E é exatamente aí que reside a maior diferença destes últimos 25 anos. Enquanto no final da década de oitenta o profissional que detinha o conhecimento era considerado o melhor e o mais importante, agora aquele que compartilha é o mais valorizado. Neste novo cenário, vimos uma mudança significativa, comportamental, muito mais do que tecnológica.

Sofisticadas ferramentas permitem a identificação dos maiores contribuidores. Mais do que isso, toda sua produção é rapidamente compartilhada e, principalmente, consumida dentro e fora da empresa. Na Intranet Social da IBM, por exemplo, em questão de segundos, estou falando de segundos, podemos identificar os especialistas em um determinado assunto, onde quer que ele esteja localizado. O que seria comparável a "procurar uma agulha em um palheiro", torna-se uma tarefa simples. A resposta para uma pergunta, que em outros tempos poderia demandar consultas a livros em uma biblioteca, pode ser obtida em questão de minutos.


Onde está a diferença? Qual foi o fator, o elemento, que permitiu tamanha transformação? O surgimento das Redes Sociais Corporativas foi a fagulha, a centelha que deu início a todo esse novo mundo, a esse novo modelo de corporação. Empresas hoje dividem-se entre as que já exploram os benefícios de uma RSC e aquelas que ainda não o fazem. O uso do "IBM Connections", a solução de RSC da IBM,  de forma integrada com a Intranet da empresa, provocou a maior transforamção que já assisti nos meus 20 anos de IBM. A IBM de hoje é uma empresa mais ágil, mais transparente e, principalmente, uma empresa onde conhecimento é produzido, compartilhado e consumido em uma velocidade única. Se hoje nos envolvemos em um projeto mais complexo, podemos buscar suporte e informação junto a mais de 500 mil funcionários e contribuidores da IBM, em todos os cantos do mundo.

Em menos de um quarto de século passamos de um cenário em que deter informação era uma vantagem competitiva para um funcionário de uma empresa para um mundo em que compartilhar conhecimento é o caminho do sucesso. Ao lançar mão de uma Rede Social Corporativa, permitimos que aqueles que detém conhecimento possam compartilhar com o restante da empresa, não mais limitando-se a possuir conhecimento. A transformação é significativa e é a principal característica das empresas da segunda década do século XXI.

O uso de Redes Sociais Corporativas e das tecnologias de mobilidade, estão alterando profundamente o mundo em que vivemos. Sua empresa já faz parte deste movimento? Seu maior patrimônio, que é o conhecimento gerado por seus funcionários, é devidamente registrado e compartilhado? E, por fim, quem é mais importante para uma empresa, aquele que gera conhecimento e compartilha ou o que gera conhecimento mas não compartilha?