quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Sobre Minaretes e Sinos

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Um dos grandes desafios da história da humanidade sempre esteve ligado à (in)tolerancia religiosa. De tempos em tempos conflitos diretamente relacionados com a fé eclodem em um ponto ou outro do planeta. Não faltam exemplos.

Pois em pleno século XXI, ao mesmo tempo em que líderes mundias se reunem em Kopenhagen para discutir o clima, eis que surge mais um "conflito", bem alí ao lado, na Suiça. Lá vivem aproximadamente 350 mil muçulmanos que reunem-se, para orar, em cerca de 160 centros religiosos (dentre os quais, muitas mesquitas).

O problema começou quando outras parcelas da população sentiram-se incomodadas quando minaretes começaram a ser construidos. Os minaretes são torres, altas, usadas para convocar os crentes para as 5 orações diárias. No final do mês passado, em referendo, 57% dos eleitores suíços aprovaram a proibição da construção dos minaretes (1).

A ONU, diversos países europeus (2) e o próprio governo suíço manifestaram-se contra a proibição. Mas fica a polêmica...

Pra complicar, agora o presidente francês, Sarkozy, escreve um artigo para um jornal de grande circulação francês, dizendo que quem vem de fora tem que se adaptar e ser discreto...

Só fico imaginando igrejas católicas sem o seu sino, usado para convocar os fiéis... Não acredito em um futuro com progresso e civilidade sem que haja tolerância e respeito às opções individuais como as religiosas, por exemplo.

(1) http://newsforums.bbc.co.uk/ws/pt/thread.jspa?forumID=10532
(2) http://pt.euronews.net/2009/11/30/paises-europeus-criticam-proibicao-de-minaretes-na-suica/

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

A prova do ENEM e o filme do Lula

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Que país é esse em que vivemos... No dia primeiro de outubro estourou o escândalo das provas do ENEM que foram copiadas e distribuidas... literalmente roubadas. Uma fraude que trouxe a tona pesadas discussões sobre segurança levando a questionamentos sobre falhas do MEC, do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira, que realiza o Enem), da Polícia e de outras instituições (1). Parece realmente um país do terceiro mundo, inundado em fraudes e corrupção.

Pouco tempo depois, cercado de um aparato de segurança único, é lançado o filme do Lula. Nenhuma cópia foi pirateada. Uma segurança absolutamente exemplar. Coisa de país de primeiro mundo.

Afinal, em que país vivemos? Será que não interessava a ninguem proteger as provas do ENEM? Por que as falhas na segurança? Ao mesmo tempo, quando não se consegue fazer uma simples cópia pirata do filme do nosso Presidente, quem fez a proteção das matrizes? É quase inacreditável que esses dois fatos tenham acontecido no mesmo país e em um curto período de tempo.

A realidade é que nosso país ainda é composto por vários "países".
  • Um país economicamente avançado, grande produtor de petróleo e exportador de bens de consumo, e ao mesmo tempo atrasado, com desmatamentos na Amazonia, enorme economia informal, trabalho infantil e até escravo;

  • Um país com instituições fortes e respeitadas, como o Banco Central, e temos um órgão do governo com centenas de funcionários cuidando de Caça e Pesca (297, na última contagem);

  • Um país que garante segurança para estrangeiros, como na recente visita da cantora Madonna ao Rio de Janeiro, mas que ao mesmo tempo não consegue garantir segurança em nossas cidades, nem para nossas crianças;

  • Temos cidadãos com acesso aos melhores hospitais, como o Einstein em SP ou o Inca e o Into no Rio de Janeiro, e temos milhões de cidadãos que morrem aguardando atendimento no restante da rede pública hospitalar.
Quem protegeu o filme do Lula? Creio que, no mínimo, seria uma boa empresa para ser cotada para prover segurança para as provas do ENEM.

Além disso, este episódio mostra que, quando existe interesse, consguimos fazer as coisas acontecerem. Fica pelo menos a esperança de dias melhores, como entendo que o filme do Lula promete...

(1) http://educacao.uol.com.br/ultnot/2009/10/01/ult105u8763.jhtm

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Brasil, um país jovem? Até quando???

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Quando eu era criança aprendi na escola que o Brasil era um país com um população predominantemente jovem. Me recordo das aulas onde o professor mostrava a pirâmide etária de nossa população com uma base larga, mostrando que a maior parte da população era muito jovem.

Passadas duas ou três décadas o quadro mudou. Hoje nossa população está envelhecendo e, pior, estamos tendo menos filhos... Some-se a isso o fato da expectativa de vida também ter aumentado e temos um quadro totalmente diferente... Veja, abaixo, as pirâmides etárias do Brasil em 1970 e em 2004.






Quase todos os indicadores demográficos brasileiros melhoraram. Vejam, no quadro abaixo, que temos maior expectativa de vida, menor taxa de mortalidade e menor taxa de mortalidade infantil. Porém, temos uma taxa de fecundidade que vai decrescendo ano a ano...

INDICADORES DEMOGRÁFICOS

1990 1995 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008
Esperanças de vida ao nascer 66,57
68,49
70,43
70,71 71,00 71,29 71,59 71,88 72,18 72,48 72,78
Taxa de natalidade (por mil hab.) 24,21 21,93 21,13 20,84 20,33 19,76 19,12 18,45 17,75 17,06 16,38
Taxa de mortalidade (por mil hab.) 6,95 6,55 6,34 6,33 6,32 6,30 6,29 6,28 6,27 6,27 6,27
Taxa de mortalidade infantil (por mil nascidos vivos) 47,00 37,90 30,10 29,20 28,40 27,50 26,60 25,80 25,00 24,10 23,30
Taxa de fecundidade total 2,79 2,51 2,39 2,34 2,27 2,20 2,13 2,06 1,99 1,93 1,86
FONTE: IBGE/Diretoria de Pesquisas. Coordenação de População e Indicadores Sociais. Gerência de Estudos e Análises da Dinâmica Demográfica. Projeção da Populaçao do Brasil por Sexo e Idade para o Período 1980-2050 - Revisão 2008

Faz parte... vamos todos envelhecendo juntos, vivendo mais tempo e tendo menos filhos. Enquanto na década de sessenta tinhamos aproximadamente 6 filhos por casal, hoje temos, em média, apenas 2.



Os motivos? Maior educação da população e maior divulgação de técnicas para evitar gravidez seguramente ajudaram. Uma consequência seguramente vai ser um impacto direto na Previdência Social bem como nos Planos de Aposentadoria em geral.


Quem viver verá...


Mais detalhes em: http://www.ibge.gov.br/ibgeteen/pesquisas/fecundidade.html#anc3

e em: http://escola.previdencia.gov.br/ppt/ricardo2.pdf

domingo, 25 de outubro de 2009

Como será o Brasil em 2014 e em 2016?

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Sábias palavras de um amigo... "Fazer previsão é sempre muito difícil, principalmente sobre o Futuro"... mas, agora que foi dada ao Brasil a oportunidade de sediar uma Copa do Mundo em 2014 e, ao Rio de Janeiro, os Jogos Olímpicos de 2016, muito se tem discutido sobre o futuro do país, principalmente, é claro, para os próximos 7, 8 anos. Como será o Brasil em 2016?
  1. Teremos, todos, conceitos fortes de Cidadania?
  2. Nossas crianças terão acesso à educação?
  3. Todos os brasileiros terão acesso à saúde?
  4. Seremos um país sem miseráveis esquecidos morando em cidades do sertão do nordeste?
  5. Será possível andar com segurança em nossas cidades?
  6. Nossa polícia funcionará e será respeitada?
  7. Será que teremos vencido definitivamente a guerra contra o tráfico de drogas que tanto aflige nosso país?
  8. Nossos políticos serão mais éticos?
  9. Nossa justiça será mais rápida e justa?
  10. Nossos atletas ainda precisarão ir para o exterior para treinar em boas condições?
Além de todas estas perguntas, claro, ainda ficam as que todos já fizeram... o que ficará de legado de infraestrutura nas cidades, nos aeroportos, nos estádios, etc, etc, etc...

Sinceramente? Acredito que as primeiras 10 perguntas são bem mais difíceis de serem respondidas... e muito mais importantes para o futuro do Brasil. Estou particularmente otimista. Acredito que possamos superar positivamente cada um dos obstáculos listados mas, para termos sucesso, vamos precisar do esforço de cada um de nós.

Podemos tudo nos próximos anos, menos nos omitir.

E, o primeiro passo será no ano que vem, com as eleições.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Extra! Extra! Notícias de Ontem!!!

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Você compraria um jornal para se "atualizar" sobre as notícias de ontem? Calma, pense bem antes de responder a esta aparentemente simples e inocente pergunta... pense novamente. Pronto... a resposta é, "sim". Na realidade, quase todos fazem exatamente isso ao ler um jornal diariamente.

Estranho pensar assim, mas essa é a realidade. Todos nós, ao lermos nossos jornais "do dia", estamos lendo notícias "de ontem". E isso é natural, ou pelo menos era... o ponto aqui é que desde que temos a Internet para acesso as últimas notícias, ler o jornal pela manhã passou a ser extremamente redundante. As notícias costumam ser as mesmas já publicadas no site do jornal desde o dia anterior.

No início do século XX ainda era comum termos jornais "matutinos" e, outros, "vespertinos". A idéia era incluir no vespertino as mais frescas notícias do dia, em primeira mão, não sendo necessário aguardar pelo dia seguinte para incluí-la no matutino... Com o tempo e a mudança no perfil dos leitores de jornais, hoje temos poucos jornais com o perfil "vespertino". O que ajudou a "matá-los"? Provavelmente a televisão e seus tele-jornais. Com o passar do tempo, com a disseminação da televisão e com o surgimento dos tele-jornais, criou-se um hábito de assistir ao jornal da noite. Este, por ser mais dinâmico do que o jornal impresso, acabou por reduzir a demanda pelos "vespertinos". Você leria um jornal ou prefere que o William Bonner e a Fátima Bernardes te contem as últimas notícias do dia?

Aparentemente estamos assistindo a um fenômeno semelhante. No entanto, a vítima da vez é o matutino e seu algoz, além da televisão e seus canais dedicados 24hs a notícias, é a Internet. O processo ainda está em seu estágio inicial mas muitas pessoas já se atualizam online, diretamente nas páginas Web dos principais jornais, praticamente em tempo real... Quando recebem o jornal no dia seguinte já leram muitas das notícias publicadas.

Além disso, a indústria do "jornal impresso" ainda sofre um outro golpe bem forte. O processo de imprimir, tanto a parte da gráfica quanto o jornal em si, é muito pouco "green". Gasta-se muita energia e, principalmente, muita tinta e papel... Você já parou para pensar quantas páginas absolutamente inúteis vem no jornal aos domingos??? Quantas árvores são derrubadas??? Claro, atualmente boa parte da matéria prima vem de árvores plantadas especificamente para esta finalidade, não são derrubadas matas virgens (pelo menos, assim espeto) mas, ainda assim o processo como um todo deixa a desejar...

O fato é que, neste cenário, a circulação dos principais jornais no Brasil e no mundo tem caído (1) e, apesar de alguns atribuirem a queda à crise (2), o grande desafio do jornal impresso e descobrir novas formas de atrair e manter público. Alguns tem optado por concursos, coleções e/ou benefícios adicionais. O mercado está mudando. A maioria dos jornais já sente uma redução na demanda por edições impressas, principalmente aqueles voltados para as classes mais abastadas, que tipicamente possuem acesso a Internet. Nos próximos anos, com o maior uso da Internet, esse cenário pode mudar bastante e ter impacto forte na circulação destes jornais.

Como você pretende acompanhar estas mudanças, lendo o jornal pela manhã ou online, praticamente em tempo real, na Internet?

(1) http://www.abigraf.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=4952%3Aivc-aponta-queda-na-circulacao-de-jornais&catid=1%3Atimas-notas&Itemid=117&lang=br
(2) http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/06/01/a-queda-na-circulacao-dos-jornais/

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Impressoras Verdes X Automóveis Baratos

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Faz pouco tempo recebi um email com o anúncio de uma impressora em promoção. Até aí, tudo bem pois recebo diariamente mensagens com esse tipo de oferta. O que me chamou a atenção foram dois pontos...

Preço

O primeiro foi o preço... era uma impressora colorida de um fornecedor de primeira linha, com alta resolução por inacreditáveis US$ 19,99. Isso mesmo, menos de vinte dólares ou ainda, menos de 40 reais.

O modelo de vendas de impressoras de jato de tinta já é conhecido há vários anos... a impressora é vendida a preço baixo e o cartucho a um preço maior. Ou seja, ao comprarmos uma impressora ficamos "refens" do cartucho do mesmo fornecedor, onde ele obtem uma margem maior. Até aí, tudo bem. Mas "vender" uma impressora por menos de vinte dólares... foi quebrada uma barreira de preço...

Impressora Verde

O segundo ponto que me chamou a atenção foi o aumento da participação no mercado das Impressoras "verdes". Basicamente são impressoras em que boa parte do material utilizado para sua fabricação é reciclável. Não estou falando do material de consumo, e sim do material utilizado em sua fabricação.

Essa á uma nova tendência da indústria, que começou no ano passado. Todos sabemos, ou pelo menos imaginamos, que imprimir é uma atividade bem agressiva ao meio ambiente. O gasto de tinta e de papel é altamente poluente. O ponto aqui é que a fabricação destas máquinas também consome muitos materiais poluentes.

A proposta da indústria é utilizar material reciclável na fabricação delas, além de incorporar normas e padrões internos de uso das impressoras. Com isso, surgiu uma nova categoria de máquinas, as "impressoras verdes". Quer uma definição melhor do que seria uma impressora verde? O site da "Bay Area Green Business Program" (1) pode ajudar. Além disso, também vale uma visita ao site do consultor Joel Malower (2), um especialista que trabalha a mais de vinte anos com o business "green" (2).

No ano passado, a Xerox lançou uma "calculadora" especial, que ajuda uma empresa a definir o quão verde ela é com relação a atividade de impressão (3 e 4).

O mercado de impressoras jato de tinta é um dos mais dinâmicos do segmento de acessórios, movimentando milhões de dólares anualmente.

E os automóveis???

Fico aqui pensando... seria interessante se o mercado de automóveis também seguisse o mesmo modelo utilizado pelos fabricantes de impressoras... No nosso caso, a Petrobras, por exemplo, fabricaria seus automóveis e os venderia por preços bem baixos... mas só poderiamos usar gasolina dela...

(1) http://www.greenbiz.ca.gov/BGPrinter.html
(2) http://www.makower.com/index.html
(3) http://bits.blogs.nytimes.com/2008/03/25/how-green-is-your-printer/
(4) http://www.consulting.xerox.com/flash/thoughtleaders/suscalc/xeroxCalc.html

sábado, 5 de setembro de 2009

Rio de Janeiro, a Cidade mais Feliz do Mundo

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Eu já sabia, todo carioca de verdade já sabia... e agora todo mundo sabe... o Rio de Janeiro foi eleito a cidade Mais Feliz do Mundo. A conquista foi obtida em uma pesquisa online feita pela consultoria americana GfK Custom Research North America e pelo consultor Simon Anholt que entrevistou cerca de 10 mil pessoas em 20 países. Discussões a parte com relação ao conceito de "felicidade", é nítida a vantagem que a cidade levou com relação as suas principais concorrentes, Sydney, Barcelona, Amsterdam e Melbourne (1).

Tudo bem que temos nossos problemas, como qualquer outra grande cidade do mundo. Seja Nova Iorque, Paris, Cidade do México, Tokio ou São Paulo. Qualquer cidade que abrigue milhões de habitantes tem seus problemas de logística, segurança, saneamento, etc. Porém, poucas cidades podem dizer que os conhece e que sabe viver com eles. Claro que a convivência é difícil e tem suas crises. Mas, no fim do dia, somos uma população feliz.

A cidade ganhou o título com base no seu cenário único e maravilhoso de montanha e mar, com base na tradição de festejar, seja durante o Carnaval ou durante os inúmeros festivais que agitam a cidade durante o ano.

Os próximos anos prometem mudanças para a cidade... mudanças positivas. A Copa do Mundo em 2014 e a possibilidade de receber as Olimpíadas de 2016 vão, seguramente, aumentar o nível de investimentos públicos e privados na cidade. Temos chances boas de sanar alguns dos nossos principais problemas e atenuar muitos outros.

Além disso, é nítido o aumento do investimento em cultura, com a inauguração de novas salas, como o novo Teatro Casagrande, o Vivo Rio e a Cidade da Música (que, apesar das polêmicas, vai ter papel importante).

É hora de comemorar!

(1) http://www.forbes.com/2009/09/02/worlds-happiest-cities-lifestyle-cities.html